Li recentemente um post do investidor de Venture Capital Mark Peter Davis e achei que merecia uma versão adaptada para nossa realidade brasileira, então aí vai:

Quando o empreendedor planeja o financiamento de seu projeto, inevitavelmente esbarra na dúvida sobre investidores. Captar, ou se virar com os próprios recursos (bootstrap)? Cada projeto tem suas peculiaridades e não existe uma regra universal, mas podemos resumir bem as possibilidades respondendo duas perguntas básicas:

– Qual o tamanho da oportunidade de negócios? (escala)
– Qual a necessidade de capital até atingir o equilíbrio de fluxo de caixa?
O diagrama abaixo simplifica as respostas.
Se o projeto não apresenta uma possibilidade de crescer as receitas para algo acima de R$30,0 milhões anuais num espaço de tempo menor do que uns 8 anos, o investidor de venture capital não é o melhor caminho, mas se o projeto tem essa possibilidade e precisa de muito capital (>R$3,0 milhões) para botar o negócio de pé e atingir o equilíbrio, as primeiras condições estão alinhadas e você deve mesmo considerar uma captação com venture capital.
No diagrama acima, o quadrante vermelho dispensa maiores explicações. Se teu projeto não prevê um porte significativo e demanda muito capital, ele é inviável. Ao invés de perder seu tempo tentando capitalizá-lo, parta para outro.
A alternativa de auto-financiamento (“bootstrap” no jargão empreendedor) é melhor para projetos que demandam pouco capital inicial e que não ambicionam um porte maior do que alguns poucos milhões de reais de faturamento.
Nesses casos, um investidor de venture capital ficaria muito grande dentro da estrutura acionária e as exigências de preferências de liquidez (para vender sua parte primeiro) deixariam os empreendedores numa situação indesejável. Planeje para crescer organicamente com as receitas geradas com os primeiros clientes.
Aqui vale uma ressalva: fazer o “bootstrapping” nos EUA é muito mais fácil do que aqui no Brasil. Lá o empreendedor consegue crédito com maior facilidade e a taxas muito mais baixas. Dá para se virar com as contas do primeiro mês se ainda não tiver receita. Aqui o bicho pega. Se usar o limite do cartão e não pagar a fatura em dia, o juro come o aluguel. Se você contrata alguém nos EUA não paga os encargos que por aqui bancam os atos secretos do Sarney. Sem falar na famigerada burrocracia.
O importante é que não adianta ficarmos choramingando, tem que botar essas imbecilidades brasucas na conta e seguir tentando.
A coisa é um pouco mais complicada no quadrante verde, quando o projeto pode ficar grande, mas não precisa de muito capital para começar e atingir o equilíbrio. Nesses casos a decisão fica em função de uma análise sobre as barreiras de entrada que o projeto apresenta.
Se existem barreiras fortes que impedem outros de rapidamente copiar tua idéia e te tomar o mercado, então é melhor seguir sem a diluição do venture capital e suas exigências.
O caminho é outro se não existem barreiras significativas e o primeiro que lançar forte e conquistar o mercado leva grande vantagem. O capital do investidor faz uma enorme diferença competitiva. Vale a pena captar e avançar com rapidez. Ficar sentado encima de todas as ações ou quotas do projeto e ver outro concorrente melhor capitalizado tomar todo o seu mercado não é um prognóstico muito desejável.
Os erros e acertos no financiamento de uma startup são muito relevantes para todo o futuro do projeto. Adequar a melhor estrutura de capital é tão importante quanto à estratégia do negócio.
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