Uma atividade prazerosa do fim de semana é assistir os videos do TED e ser chacoalhado por idéias que podem mudar como enxergamos os negócios e a vida. Nesse final de semana não assisti nada do TED e resolvi assistir online as palestras do ‘TED Brasileiro’, o Epicentro.
Aqui vai minha impressão sobre as palestras dessa primeira edição:
Acho que o uso da comédia para passar uma mensagem num evento desses é aceitável desde que seja em dose homeopática e natural. O Luciano Pires exagera. A palestra dele tinha uma mensagem muito interessante que ficou escondida debaixo das gracinhas metidas a besta para mostrar que ele é cômico. Qual era o objetivo? Transmitir uma mensagem interessante ou provar que o palestrante é inteligente e engraçado? Menos ego de consultor seria bom.
Palestra de consultor eu raramente gosto. A do consultor de marketing jurídico foi lamentável para um evento como esse, estava no lugar errado.
Gostei das palestras que expunham pontos controversos, essas sim fazem pensar. Podem estar equivocadas, não precisamos concordar com as idéias, mas cumprem um papel bem mais útil. Geram questionamentos, dúvidas, inquietação. Gabriel Peixoto, Miguel Cavalcanti e Vicente Lassandro fizeram isso. O Vicente exagerou nas barbaridades de sua visão míope dos problemas, mas tudo bem, foi interessante e válido mesmo assim.

A Claudia Riecken contou histórias muito interessantes, mas não cumpriu a promessa de fazer uma palestra objetiva em 18 minutos, se alongou por 28.

Palestra de patrocinador/produtor também deveria ficar de fora. Deixem quem tem idéias novas e diferentes falar. A palestra do fundador da IT Mídia foi dessas. Ele certamente tem uma história muito respeitável e admirável, mas a proposta vendida não era essa.
O Pedro Mello abordou um aspecto interessante (mais espiritual), mas falhou feio por não ter preparado sua palestra de acordo com o combinado. Excedeu em muito o tempo e sequer concluiu seu exercício numerológico. Fail.
Eric Acher e Mandic são profissionais muito inteligentes, não tenho nada contra as suas idéias, mas voltemos a lembrar que o propósito vendido não era de mostrar palestrantes inteligentes e sim idéias novas em 18 minutos. Achei que estavam fora do contexto em quase 30 minutos cada.
A palestra do “Político 2.0” foi até interessante porque mostra um trabalho que está sendo feito diferente do que vemos por aí nas terras que sofrem de uma metástase chamada PMDB. O problema foi que não veio nenhuma idéia nova. Quem ainda não sabia que políticos minimamente decentes trabalham com dados da população?
O Fábio Seixas e o Marco Gomes são empreendedores com grande potencial, além de pessoas muito queridas por toda a comunidade web, mas assim como eu, ainda não são “TED material”.

Não deu tempo de assistir as palestras do Rawlinson e do Alexandre Oliva, talvez se todos tivessem respeitado o tempo proposto daria, então não comentarei sobre essas.

Muito mais do que o conteúdo das palestras, a organização do evento foi alvo da maior cobertura dos twitteiros e blogueiros. Falaram e escreveram muito sobre as falhas de organização. Falhas lamentáveis, algumas imperdoáveis (overbooking de mais de 1000%), mas que só acontecem com quem tenta fazer.

Admiro o Ricardo Jordão pela coragem e pela energia que ele demonstra para fazer acontecer, tiro o chapéu nesse ponto, ele é um “man in the arena” (veja texto ao lado no blog) mas acho que a crítica construtiva só pode ajudar o projeto dele.
Para que o Epicentro 2 seja melhor eu acredito que o Jordão deveria investir em equipe. Ele claramente precisa de ajuda na curadoria das palestras, e de uma boa ajuda na parte técnica. Do jeito que está, não vai pra frente. Dúvido que ele discorde disso, mas não conversei com ele para ouví-lo. Os palestrantes dessa edição já tiveram a coragem de dar a cara para bater e serem os primeiros, agora poderiam constituir uma banca para escolher os próximos.

Espero que a nova edição em outubro seja uma evolução dessa. Torço para que seja, porque pode ser uma boa fonte de inspiração para muitos empreendedores.

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