O que a sua empresa está construindo? Algo que melhore a nossa sociedade de alguma forma ou apenas o volume de dinheiro na conta dos acionistas do empreendimento?

Tenho percebido que muitos exemplos de sucesso estão vinculados apenas ao enriquecimento do empreendedor e de seus co-acionistas. A recente febre dos IPO´s (que agora congelou), tão positiva para o mercado brasileiro como um todo revela isso claramente. O importante para os empresários passa a ser o IPO e todo o dinheiro que ele traz para os acionistas. Sou totalmente a favor das aberturas de capital, mas não podemos deixar o meio virar fim.

Nada como uma boa crise no capitalismo para botar as coisas em perspectiva novamente. A ganância do dinheiro pelo dinheiro fez o quinto maior banco americano simplesmente desaparecer. O Bear Stearns acaba de ser comprado pelo JPMorgan depois de sucumbir à crise de crédito que abala as estruturas das finanças globais.

O dinheiro pelo dinheiro foi para o brejo. A ação do Bear Stearns já tinha caído 60% de seu pico e estava valendo US$30,00 no dia 14 de março. Ele foi vendido ontem por US$2,00 por ação. Eu arrisco dizer, com todo respeito aos funcionários e gente muito boa que trabalhava lá, que foi bem feito! Se o banco estivesse engajado em construir algo para a sociedade dificilmente teria se engajado em tanta especulação e risco. Como estava apenas especulando, sucumbiu.

Com certeza serei taxado de idealista, utópico e afins, mas continuo acreditando que o papel do empreendedor não é somente enriquecer por enriquecer. É claro que enriqueceremos se construirmos algo bom, se resolvermos algum problema, se fizermos algo melhor. Nunca achei que lucro fosse pecado, pelo contrário. O problema não é o lucro, o problema é não saber o porquê dele. Há dez anos deixei a carreira num banco similar ao Bear Stearns por esse exato motivo. Nunca me arrependi.

Empreendedor que constrói coisas boas e gera lucro continua construindo e fazendo coisas ainda melhores. Esse tipo de empreendedor faz bem para qualquer sociedade. Agora o oportunista que só empreende para satisfazer a sua própria demanda de riqueza não contribui com o todo, desse podemos prescindir tranquilamente. Muitos deles acabam (se percebem que enriqueceram demais) doando grandes quantias para instituições de caridade quando se aproximam do final da vida. O sentimento de culpa as vezes bate forte.

Que tipo de empreendedor é você? Nesses momentos agudos de crise é bom refletir…

Participando do “Blogagem Inédita”

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