Algumas previsões bem pessimistas estão sendo feitas para a indústria de Venture Capital. O argumento principal é que o balanço entre o dinheiro que entra para os fundos (captações) e o que eles são capazes de gerar (lucros na venda das empresas investidas) ficou negativo.

Alguns já estão dizendo que não será possível reverter isso. Seria mais um modelo (além do de banco de investimento e das montadoras americanas) a ser tombado e reconstruído. A apresentação abaixo ilustra bem o cenário pessimista.

TheFunded – Canarie

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A explicação para esse cenário é simples:

  • novas captações estagnadas: os investidores que colocam dinheiro nos fundos de VC estão perdendo muito dinheiro em outras classes de ativos (Bolsa, papéis corporativos, hedge funds, etc.). Enquanto o mercado estiver ruim como agora, não haverá um tostão novo para os VCs.
  • “saídas” estagnadas: (venda de empresas investidas) por IPO’s inexistentes. A lei que veio após os escândalos da Enron e Worldcomm, a famosa “SOX” acabou com o apetite de empreendedores por IPO’s. Os custos e o risco para a pessoa física do CEO são tão grandes que o empreendedor prefere vender a empresa mais barato do que assinar os reports da SEC (a CVM americana). Veja esse post sobre o assunto.

O gestor de fundo de venture capital discorda dessa visão (é óbvio). Quem melhor argumenta contra o cenário pessimista é o Fred Wilson aqui. Perceba que mesmo discordando, ele assume que haverá muito fundo sendo fechado no próximo ano.

O cenário mais realista parece ser um de bem menos recursos para os gestores investirem e bem menos alavancagem nas vendas das empresas para os empreendedores.

E qual é o impacto disso tudo para nós empreendedores?

É positivo, explico:

Excesso de grana de investidores não é bom para o empreendedor. Preciso lembrar de tudo o que aconteceu em 2000? O tipo de empreendedor que é atraído nas fases de fartura de capital é o pior possível. Não constrói nada de valor, sustentável, e acha que vai faturar milhões sem ralar.

O cenário agora não está para Gérsons. Que fiquem longe. Sem a fartura ilusória, certamente só toparão assumir os riscos de empreender, aqueles que são movidos por ideais mais fortes do que simplesmente ganhar uma boa grana fácil. A visão do Tim O’Reilly “work on stuff that matters” é muito boa.

É bom lembrar que os fundos de VC brasileiros (que são bem poucos) vivem uma realidade bem mais adequada à realidade. Nunca viveram uma bonança maluca como nos EUA e sempre procuraram investir em empreendedores sérios, com projetos construtivos.

Empreendedores com equipes diferenciadas, que estiverem trabalhando duro, com os pés no chão, procurando gerar valor para seus clientes, certamente continuarão atraindo capital para suas necessidades (muitas vezes nem é preciso grandes quantias) e sairão dessa crise com empresas promissoras, sustentáveis, que mostrarão que somos capazes de aprender com todos os erros que cometemos como capitalistas que somos.

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