Nas páginas amarelas da Veja dessa semana, o pesquisador da Heritage Foundation, James Roberts, nos passa uma visão sobre como anda a liberdade econômica aqui no Brasil e no resto do mundo.

Por que isso é importante para os empreendedores? Porque o empreendedorismo cresce com liberdade e definha com qualquer tipo de repressão.

Veja abaixo algumas das perguntas da revista, as respostas do pesquisador e os meus comentários.

Pergunta da Veja: “A liberdade econômica é capaz de diminuir a desigualdade social de um país?”

Roberts: “Em primeiro lugar, é preciso definir o que vem a ser igualdade social. Esse conceito pressupõe que todos sejam forçados a viver em casas idênticas, ganhar os mesmos salários, comer as mesmas comidas e acreditar nos mesmos valores? Essa abordagem totalitária já foi tentada na União Soviética e está em pleno vigor em Cuba. Os resultados foram e são desastrosos, para não dizer trágicos.”

“As pessoas não nascem iguais. Elas possuem habilidades e talentos próprios. Cada uma deve decidir sozinha o que quer fazer da vida: se prefere tabalhar duro ou levar uma existência mansa e tranquila. O principal papel do governo não é ir contra essa realidade e forçar algo que não existe nem existirá. O bom governante é aquele que oferece oportunidades iguais para todos buscarem a própria felicidade. O capitalismo promove níveis desiguais de prosperidade. Como diria o estadista Winston Churchill, isso é muito melhor do que produzir miséria igual para todos, como faz o socialismo.”

Até aqui estamos bem, o PT desistiu dos seus ideais falidos e manteve o Brasil nos eixos nesses últimos anos. O conservadorismo econômico do Lula salvou os empreendedores de uma idade das trevas e deixou que pudéssemos colher os frutos das reformas iniciadas com o Plano Real.

Pergunta da Veja: A pobreza diminui nos países com liberdade econômica?

Roberts: “Ao dar oportunidade para que a população mais pobre prospere, a liberdade econômica é boa para todos. Quando esse conceito é implementado, a elite política fica impossibilitada de usar a máquina estatal para ganhar vantages econômicas, o que sempre ocorre em prejuízo dos mais fracos. Essa situação terrível é o que chamamos de “capitalismo de comparsas”. Nos países onde essa prática é institucionalizada, os governantes e seus amigos sobrecarregam a população com burocracia e pesados impostos com o objetivo de massacrar os empreendedores, que veêm como uma ameaça.”

“Quando, por outro lado, existe liberdade, o poder econômico não está sujeito a forças políticas e sociais. Pequenas e médias companhias privadas, que são a espinha dorsal de uma economia e produzem a maior parcela dos impostos, têm melhores chances de crescer. A liberdade econômica é uma doutrina revolucionária que desafia o status quo e os que querem usar o poder em proveito próprio. No longo prazo, sua aplicação produz mais prosperidade, mais igualdade de renda, mais emprego e reduz os níveis de pobreza.”

O ex-ministro Furlan botou esses conceitos na cabeça do pessoal do governo e desde então a gente pode observar, mesmo que tímidas, algumas tentativas de diminuir a burocracia para abrir e fechar empresas. No campo dos impostos a situação ainda é lastimável.

Pergunta da Veja: É possível medir esses benefícios?

Roberts: “Se dividirmos os países do mundo em cinco grupos, usando o grau de liberdade econômica como parâmetro, vemos que o grupo de países mais livres tem uma renda per capita cinco vezes maior que a do grupo de nações que consideramos repressoras. O desemprego nos países livres é de 6%, enquanto nos economicamente repressores é de 19%. As nações mais livres também possuem menor inflação, que sabidamente corrói o salário dos mais pobres.”

Com resultados como esses, medidos e comprovados, fica difícil contra-argumentar com a liberdade, você não acha?

Agora vem o triste choque de realidade para nós, empreendedores brasileiros:

Pergunta da Veja: Como está o Brasil no ranking de liberdade econômica?

Roberts: “Em 2003, o primeiro ano do governo do presidente Lula, o país alcançou sua melhor posição no ranking. Ficou em 58° lugar. No ranking deste ano caiu para a 101°posição. Hoje o Brasil está ao lado de países como Zâmbia, Argélia, Camboja e Burkina Faso. Com isso, o Brasil mudou de categoria. Saiu do que chamamos de “moderadamente livre” para uma economia “majoritariamente não livre”.

É uma pena que para comentar ranking de medalhas nas olimpíadas, o brasileiro gasta o verbo e mete a boca, mas para isso se cala.

Quais seriam os exemplos de progresso que podemos ver hoje no mundo?

Segundo Roberts: A Irlanda e a Estônia. Crescem mais de 5% ao ano nos últimos dez anos. “A Irlanda hoje é um grande exportador de software da União Européia. A Estônia tem seguido o mesmo caminho e investe bastante em tecnologia e informática.”

Será que alguns dos nossos políticos não poderiam visitar esses países e ver o que eles tem feito para entender se não podemos adaptar alguma coisa para cá? Ou será que eles estão muito ocupados tentando arrumar esquemas para facilitar a vida de seus financiadores de campanhas e amigos?

O que faz o Brasil despencar no ranking segundo o pesquisador é a Corrupção e a falta de liberdade financeira.

Para terminar:

Pergunta da Veja: De maneira geral, a liberdade econômica tem diminuído ou aumentado no mundo?

Roberts: “a liberdade econômica vem aumentando, embora muito lentamente. Quem mais puxa a curva para cima são os países europeus. Dos vinte países mais livres, metade está na Europa. Outro destaque são as antigas colônias inglesas. Hong Kong é o campeão, seguido de Cingapura.

God save the Queen…


photo credits: kliefi

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