Hoje tive a oportunidade de mais uma vez ouvir o Gustavo Franco falar sobre os itens do título desse post. Foi num almoço organizado pela Câmara Brasil Israel de comércio e indústria. Tenho uma já confessa aversão por gurus, mas com relação a economia admito que nunca ouvi alguém que conheça mais do que esse ex-presidente do Banco Central. Aliás para quem gosta realmente do assunto e gostaria de conhecer sobre o “backstage” de toda a concepção e execução do plano real até 2002, sem a fumaça que o petismo lançou, vale muito a pena ler o livro 3.000 dias no bunker do Guilherme Fiuza (o mesmo que escreveu Meu nome não é Johnny). Foi o Alexandre da P2D quem me presenteou com um exemplar.
Voltando ao foco, gostaria de dividir aqui os principais pontos da palestra do Gustavo Franco porque acho que todo empreendedor só tem a ganhar entendendo um pouco mais sobre a nossa economia e o que está acontecendo lá fora.
Sobre a crise financeira americana ele fez uma longa explanação que pode ser grossamente resumida em: a falta de regulamentação sobre os hedge funds e sobre as operações estruturadas (formas não ortodoxas de se emprestar dinheiro) causou a crise que deve sugar algo como um a dois trilhões de dólares de riqueza diretamente das famílias americanas através da depreciação do valor de seus imóveis (para vocês terem uma ideía esse número é equivalente a todo o PIB brasileiro). Além dessa tungada o prejuízo nos bancos deve chegar a algo perto de US$350 bilhões (com esse valor dava para comprar a Petrobrás, a Vale, o Bradesco, o Itaú e ainda sobrava um troco).
A grande questão que todos se preocupam é qual o efeito dessa crise para nós aqui no Brasil. Se dependermos da visão dele, sairemos bem. O contágio deve ser pequeno desde que a crise por lá não tome proporções ainda maiores.
Isso se deve ao fato de não dependermos tanto da economia americana, somente 16% das exportações do Brasil vão para lá. Hoje a Europa, China, Índia e Rússia são polos de crescimento que seguram a queda dos americanos.
Outra pergunta importante é se o que está acontecendo lá pode vir a acontecer aqui, já que estamos todos vendo a expansão do crédito no Brasil. Alguns números mostram o tamanho da diferença: nos EUA o volume de crédito é equivalente a 250% do PIB deles, a Espanha é menos alavancada com 150% do PIB. Qual o nosso? 35% do PIB, ou seja, tem muito espaço para crescimento do crédito aqui no Brasil, especialmente o imobiliário (2% do PIB no Brasil contra 40% na Espanha e 70% nos EUA).
E o nosso crescimento? Tão importante para o empreendedorismo deslanchar de vez. Segundo ele o principal entrave para o nosso crescimento é a taxa de investimento brasileira. Mesmo tendo subido bem nos últimos anos ainda temos um investimento de tímidos 19% do nosso PIB enquanto que na China que cresce 10% ao ano esse número é de 40%. Foi bom ouvir que dos nossos 19%, 18% são da iniciativa privada e apenas 1% é do governo. Se o Brasil quiser crescer de verdade e se tornar um país desenvolvido teria que subir essa taxa de 19% para algo perto de 26%. Para explicar melhor esses números ele fez uma analogia interessante para as empresas. Hoje, na média, as empresas brasileiras investem cerca de 6% do seu faturamento ou a metade dos seus lucros. Para nos desenvolvermos temos que investir pelo menos 10% do faturamento e para isso é preciso se alavancar (obter recursos com bancos, investidores ou na bolsa)
Nessa hora alguns vão dizer “E o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) do Lula? Bem esse aí é só mais um engodo. Se tudo o que o governo anunciou sobre o PAC fosse verdade a contribuição dele iria de 1,0% (dos 19% que temos) para 1,5%. Faz me rir!
Isso mostra que o caminho para o Brasil se desenvolver está nas mãos dos empreendedores, o governo tem que criar condições e não atrapalhar, só isso. Os empreendedores tem que ganhar confiança no ambiente e assumir um risco maior com mais investimento.
E os juros como ficam? Sem a queda deles fica dificil alguém querer pegar mais dinheiro para investir. A palavra que o Gustavo Franco colocou para os juros foi “convergência”. Nossos juros deveriam ser iguais (ou convergir para) a soma dos juros americanos (hoje=2,25%) mais o risco brasil (hoje=2,5%) isso não chega a 6%! Por que não está baixo assim? Porque o governo gasta tudo o que arrecada (que não é pouco) com custeio da máquina (os famosos servidores públicos) e com os programas sociais. Não sobra nada para investir.
No dia que alguém assumir o governo e enxugar a gastança, os juros vão cair para esse patamar e nós vamos assistir a uma das maiores gerações de riqueza nesse país. Algo semelhante ao que aconteceu entre 1995 e 2007. Em 95 alguém que tivesse US$85 bi de dólares poderia comprar todas, 100%!, das empresas do Bovespa. Hoje esse mesmo alguém precisaria de US$1,0 trilhão.
E o dólar? Ainda segundo ele, um dos ativos que se valorizam (sem volta) numa economia que se desenvolve como a nossa é a sua moeda. O Real continuará a se valorizar, sempre com alguma volatilidade, mas a direção é firme. Alguém perguntou se ele poderia dizer quanto estaria valendo o dólar no final desse ano. A resposta, meio infâme, foi “invistam nos fundos da Rio Bravo (que ele administra) que vocês saberão”.
A Bolsa? Para cima. Ele acredita que estamos passando pelo mesmo ciclo que passaram os países europeus (Espanha, Portugal, Eslovênia) que entraram no Euro. Se os juros convergirem para os 6% então, o Bovespa poderia facilmente dobrar de valor!
Tem mais coisa, mas vejo que o post já ficou longo demais. Me desculpem, mas achei que o assunto poderia interessar.

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