Uma das histórias que mais me chamaram a atenção no livro Founders at Work foi a do Arthur van Hoff, fundador da Marimba.

Gostei porque ele e seus sócios começaram da mesma forma que os meus sócios e eu, sem uma idéia! Acho importante lembrar disso porque a gente escuta muita gente falando que para empreender você precisa de uma idéia genial. Bobagem.

É claro que uma boa idéia ajuda bastante, mas não é imprescindível não. A história do Arthur é que em 1996 ele trabalhava na Sun na equipe de desenvolvimento do Java, assim como seus três sócios fundadores. Os quatro largaram a Sun, juntaram 25mil cada um e começaram a empresa sem saber exatamente o que ela seria.

O importante é que eles confiavam na capacidade do time. Alugaram um pequeno escritório (o nosso primeiro tinha 40m2 lá em alphaville), compraram o básico para trabalhar e ninguém tirava nada no final do mês (essa fase é a mais complicada de lembrar).

A visão dele sobre as idéias é também bem parecida. “Ao longo dos anos, eu aprendi que a primeira idéia que você tem é irrelevante. É só um catalizador para você começar. Depois você percebe o que estava errado com ela e aí vem as fases de negação, pânico e arrependimento. Aí finalmente você acaba tendo uma idéia melhor e a segunda idéia é sempre a mais importante”.

Antes de criticar, lembre que em 3 anos a empresa dele cresceu para 300 funcionários e fez um IPO de sucesso.

Vejam a posição dele sobre o business plan: “O plano é a ferramenta que você usa para vender sua idéia para os investidores. Eles olham para o plano e dizem “Não tem erros de português e a matemática bate. Mas a gente gosta das pessoas, então vamos investir”.

“Não há uma fórmula para identificar um plano bom versus um plano ruim. Assim não é justo perguntar “Você executou de acordo com o plano?” porque todo plano é só um baita chute, certo? É só mesmo uma ferramenta.”

Por último ele ainda manda essa: “Você não deve se ater muito aos pequenos detalhes, porque você não pode prever o futuro mesmo. Você ira passar por tantas mudanças, que não vale a pena analisar demais o primeiro plano. O primeiro plano de negócios está lá para que você possa usar o Microsoft Word.”

Essa visão toda é muito realista, pode parecer um pouco maluca, mas não é. Na prática é assim mesmo. Em nenhum momento ele diz, ou eu penso, que não é importante escrever um bom plano e nem que boas idéias não são importantes para o sucesso do empreendedor. O importante é perceber que o mais importante é o time, e que os planos são ferramentas, meios, nunca fins.


crédito foto: Cayusa

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