Para descrever melhor o tema da pergunta 8 do post “V.C. é para você?” começo por uma generalização que pode ser questionada: Empreendedores tem uma tendência natural a serem maníacos por controle, que o diga o Steve Jobs da Apple, um dos maiores “control freaks” que se têm notícia no mundo dos negócios.
Centralizador, não sabe delegar, tem que aprovar tudo, são alguns dos elogios que são costumeiramente dirigidos aos empreendedores. O pesadelo dos gurus da auto-ajuda empresarial é na verdade um traço de personalidade empreendedora que deve ser entendido melhor. Enquanto que esse drive obstinado é fundamental para tirar um projeto do papel ou para “botar o barco na rua” como dizem meus sócios cariocas, ele pode ser altamente abrasivo na gestão do negócio quando um time está envolvido.
Isso não é necessariamente um problema se o empreendimento está limitado na figura de um único empreendedor, mas se torna um grande problema se a idéia é ganhar escala e construir um negócio de maior porte.

O empreendedor centralizador que gosta de controlar tudo o que acontece e participar de todas as decisões acaba asfixiando a empresa. Ele acaba trabalhando demais e estressa o time todo. É fundamental desenvolver uma relação de confiança com o time de gestores, delegar as responsabilidades e deixar o negócio andar sem depender da sua canetada para tudo.
É por isso que muitos empreendedores que captam recursos com venture capital acabam sendo sacados da posição de principal executivo da empresa. O investidor não promove está troca porque quer levar vantagem ou tomar poder do empreendedor, muitas vezes ele é obrigado a exigir a troca para que a empresa possa crescer.

Vale uma pausa aqui para lembrar que não estou pretendendo dizer como um empreendedor deve ou não deve administrar seu negócio, todos conhecem histórias de grandes empreendedores extremamente controladores que tiveram enorme sucesso. O objetivo aqui é discutir o perfil que combina com o venture capital. Nesse caso a velocidade do crescimento e a capacidade de ganhar escala são o nome do jogo. O perfil demasiado centralizador pode bater de frente com esse objetivo e aí o conflito será inevitável.

Para superar minha própria controle-loucura não foi fácil. O caminho passou por desenvolver uma relação de confiança forte com os sócios, pela criação de indicadores de performance que possam sempre revelar objetivamente como andam as coisas em cada área dos negócios e por uma boa dose de auto-contenção em momentos importantes. Digo que valeu a pena. Faz bem para o estômago e para a cabeça, mas acima de tudo faz bem para o empreendimento.

obs: Para aqueles que receberam um rascunho das primeiras linhas desse post um aviso “não deixe seu laptop aberto durante o jantar se você tem filhos pequenos em casa, eles podem clicar o botão “publish post”. Sorry.

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