Ontem foi a voz indignada do Clemente Nóbrega, hoje coloco aqui a visão propositiva do Carlos Nepomuceno.

O Brasil já tem uma população bastante criativa. Basta ao governo deixar os brasilieiros serem quem eles são – Bruce Mau – da minha coleção de frases.

Já fui PT.

Quase da primeira leva.

Hoje, acredito que o fundamental é continuar com a idéia lançada na década de 80, que foi esquecida pelo Partido dos Trabalhadores: fortalecer o poder local, conscientizando as pessoas para exercer plenamente a sua cidadania.

Concordo que:

Todo poder corrompe e o poder absoluto corrompe totalmenteLorde Acton, da minha coleção.

Se é essa regra do jogo, e é fato, é preciso criar mecanismos, através do acompanhamento de quem chega lá, para que, através desse controle, tenham menos espaço para sair do trilho.

Um pouco, usando conceitos de Hans Kelsen, ao apontar a diferença entre a democracia representativa para a democracia participativa.

Aqui, estamos 99% por cento na primeira e 1% na segunda.

O importante agora é começar a crescer a participação cidadã, através da possibilidade que a rede nos traz, na qual esse partido ou movimento deveria apostar.

Cada candidato eleito desse movimento/partido deveria abraçar a idéia de fortalecer e estimular os movimentos cidadãos: orçamento participativo, reunião nos bairros, fiscalização das ações dos governos (como aparece aqui e ali em várias cidades), integrando tudo isso, via Redes Sociais.

O Brasil, como outros países do Terceiro Mundo, vive a fantasia do prazer ilimitado.

E está na hora de introduzir quebras nessa neurose, através da saída da democracia do voto, mas esqueço, do voto e participo.

Ou seja, como aqui é muito difícil aqui alguém conseguir aliar prazer com o seu trabalho.

Trabalhamos sem prazer e procuramos na fantasia social nos preenchermos enquanto pessoas.

O trabalho é alienante.

Em um ciclo viciado para conseguir sobreviver nessa neurose das poucas oportunidades brasileira, reclamamos das coisas burocraticamente entre os anúncios da novela, do futebol e do BBB, mas nunca conseguirmos sair da passividade para a ação, com raras exceções.

Fica uma frase do escultor ecológico Frans Krajcberg que vi num curta no Cinema Estação, ao falar sobre a destruição da Amazônia, ele diz:

A passividade do brasileiro é chocante!

Ou seja, entendemos mais da fantasia, do mundo paralelo dos “famosos”. que ocupa um espaço subjetivo enorme, do que de como funciona todas as objetivas e subjetivas que batem na nossa casa, no prédio, no bairro, na cidade, no estado e no país, a verdadeira realidade.

Estamos no mais fundo poço do Matrix, mas não nos damos conta.

Acredito que há a latência por um novo partido/movimento, que ao mesmo tempo que tenta mudar o país, leva as pessoas juntas nesse processo.

E não: deixa que eu mudo, fica só aí me apoiando de longe, uma atitude conservadora.

O mundo hoje, com seu volume de demandas e diversidade social, pede a colaboração e não um “pai do povo”.

Um idéia de mobilização e ação que não está hoje no horizonte, nem do PT e nem do PSDB, muito menos dos outros.

Uma sigla que aposte na organização social, na cidadania, como elemento base de sua constituição e não como um discurso vazio populista para acumular votos para mais alguns anos no poder, que se viu tanto no atual governo como nos anteriores.

E mais ainda.

Que, além do esforço cidadão, acredite na descentralização do poder econômico do estado provedor para o estado articulador.

Que aposte no empreendedorismo como a grande saída para os jovens.

Saiu no Globo, 20/06/09:

Censo mostra que informalidade reina na favela. No Complexo do Alemão 92,3% dos empreendedores não têm negócios legalizados; em Manguinhos, são 93,5%.

Me alinho com o que disse Edna dos Santos-Duisenberg, no Valor, em 18/06/09:

O Brasil tem uma população extremamente jovem, que esbanja talento criativo e sempre está inventando. Isso precisa ser estimulado pelo governo, que deveria encarar o tema como uma estratégia.

Hoje, um brasileiro sonha muito mais em um emprego público, geralmente para chegar lá e fazer o que ele quer fazer, por fora, não como uma carreira, do que jovens querendo se expandir enquanto pessoas, através de projetos de micro e pequenas empresas, sem falar em cooperativas.

Talvez a idéia até de partido não caiba mesmo, que é algo que divide e doutrina, mas de um movimento amplo de cidadania participativa que nas eleições escolha entre as opções que apostem nessa visão de país.

Mudar com todos.

E não mudar, para melhor, a vida do político, de sua família e amigos.

De qualquer forma, um conjunto de pessoas humanistas que imaginem a grande possibilidade da rede não para transformá-la em mais um canal de alienação, mas que possa aproximar as pessoas em cada rua, conectando estas ao bairro, à cidade, ao estado, ao país e ao planeta.

Utopia?

Que bom, precisamos disso nesse mar de pragmatismos!

Concordas?

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