Quem acompanha esse blog já deve ter percebido que eu cito recorrentemente o Fred Wilson quando escrevo sobre Venture Capital. O motivo disso é a transparência que ele tem com suas idéias.

Ontem ele publicou um artigo revelando o modelo econômico no qual ele se baseou para lançar o seu próprio fundo. Por que isso interessa aos empreendedores?

Porque é uma boa forma de você entender a cabeça de seu possível sócio investidor. Os números do modelo revelam uma série de informações importantes. Primeiro, qual é o retorno absoluto que o fundo tem que obter nos investimentos feitos para que o quotista que aportou o capital tenha o retorno esperado.

Nesse modelo o fundo precisa receber de volta 4x o capital investido, ao longo de seus 10 anos de vida. Com esse retorno o quotista teria um ganho de 2,56x o seu capital (ex: quem colocou $10 milhões recebe de volta $25,6 milhões).

Por gerir o fundo de $100 milhões, os gestores recebem, também ao longo desses 10 anos, $20 milhões para “custear” a gestão do fundo independentemente do desempenho obtido. Se o desempenho for de acordo com a projeção do moldelo, eles recebem mais $44 milhões como sua parte (20%) dos lucros obtidos. Nada mal! Por isso tanta gente gostaria de poder ser um venture capitalist.

Entendido quanto cada um (quotista do fundo e gestor) está esperando ganhar, resta entender o famoso “como” obter esse retorno.

Ele também deixa isso bem claro e explica que a expectativa é realizar 15 investimentos ao longo da vida do fundo. Desses 15, 5 serão um fracasso e o fundo perderá todo o capital investido, em outros 5 o fundo apenas recuperará o dinheiro aportado (com um ganho de módicos 25%). Os 5 restantes são os responsáveis pela bonança final, devem render em média 6,5x o capital investido (ex: o investidor coloca $1 milhão na empresa e quando vender recebe $6,5 milhões).

Outro ponto fundamental da estratégia dele é a divisão dos investimentos em categorias e etapas. São três categorias (conceito, teste e receitas). Em Startups que possuem somente o conceito do novo negócio (só um plano de negócios) ele só investe $1 milhão. Nas que já estão numa fase um pouco mais adiantada e já estão efetivamente testando o negócio ele investe $2,5 milhões. Nas empresas que já estão gerando receitas ele investe $3,5 milhões.

A chave da estratégia e descobrir rápido quando o negócio é ruim, quando o conceito não vingou ou o teste falhou. Assim quando investir errado, ele perde menos (de $1,0 milhão a $3,5milhões). Quando acerta ele reforça o investimento com uma segunda rodada de $2,5 a $3,5 milhões. Com isso, quando o negócio é bom, ele ganha encima de um investimento maior (mais de $5,0 milhões considerando mais de uma rodada).

É o inverso do “come que nem pinto e caga que nem pato” que tantos investidores insistem em fazer na Bolsa.

Para o empreendedor que pretende receber investimento de venture capital, ou para o que já recebeu, é fundamental entender a dinâmica desses números.

No artigo ele ainda revela que os números reais acabam sendo um pouco diferentes do modelo desenhado, mas nada que mude o racional estratégico do fundo.

Se você entendeu toda a numerologia, já sabe agora que se o teu plano de negócios não demonstra uma chance clara para o investidor conseguir mais de 6x o capital investido, não adianta perder seu tempo procurando venture capital. Se, por outro lado, o plano tem essa possibilidade, pense bem em como tentar provar que o seu não estará entre os 33% que fracassam.

Muito difícil? Pois é. Se fosse fácil, qualquer um faria.

admin

By admin

Related Post