Na nona pergunta do “V.C. é para você?” chegamos a um ponto crucial, a discussão sobre a venda do negócio.

Crucial porque ela pode ser inevitável no mundo do venture capital. Inevitável por que? Porque os fundos de venture capital tem data marcada para encerrar e devolver os recursos para quem investiu no fundo. Se essa prática é ou não inteligente ou saudável para os negócios eu não abordarei aqui, deixarei para uma reflexão no futuro próximo. Por enquanto vamos lidar com o fato, o investidor precisa “realizar” seu investimento com data marcada.

Vou eliminar também daqui os cenários em que as empresas estejam mal da pernas, ou sem perspectivas porque nesses casos não há tanto conflito entre a vontade do empresário e do investidor, uma venda nessa hora resolve para todo mundo.

Focando nos cenários em que o negócio é bom podemos encontrar situações diferentes quando o prazo para sair do investidor começa a bater na porta.
Se ao se aproximar dessa data de encerramento do fundo o mercado estiver aquecido e líquido e o negócio estiver com boas perpectivas de crescimento, é possível que o investidor possa sair (vender suas ações) vendendo para outro investidor, para os próprios fundadores ou por que não até numa abertura de capital(IPO)?

Nesses cenários a empresa não precisa necessariamente ser vendida, apenas a parte do investidor troca de mãos. Mas se por outro lado nesse momento o mercado estiver em crise, sem liquidez e a empresa, apesar de boa, estiver numa fase de baixo crescimento o investidor pode encontrar dificuldades para vender suas ações.

Nesse cenário de baixa liquidez é muito provável que os fundadores não encontrem formas para financiar a compra das ações do investidor e aí a venda da empresa como um todo pode ser a única saída. É por isso que os investidores colocam a cláusula chamada “Drag Along” nos acordos de acionistas. Para garantir que se o cenário for esse, eles tenham o direito (e os fundadores a obrigação) de vender todas as ações da empresa (possivelmente para uma empresa maior ou multinacional que atue no mesmo mercado, ou até mesmo para um concorrente).

O empreendedor tem que estar preparado para esse cenário, não adianta espernear. Talvez a venda seja saudável para possibilitar uma nova fase de crescimento para aquele negócio que ele criou, a equipe pode ter novas oportunidades de aprendizado e desenvolvimento. O projeto que foi viabilizado com o venture capital tem que agora viabilizar a saída do venture capital. É uma troca importante quase nunca bem compreendida. Por isso é bom planejar, trabalhar com essa possibilidade e discutir com a equipe antes. Não é fácil, mas foi combinado antes.

É por isso que o empreendedor que pretende se associar ao venture capital tem que ter a capacidade de lidar com um cenários desses, tem que conseguir não se apegar a uma criação sua. Se ele e sua equipe, por quaisquer motivos, não estejam conseguindo o máximo de desenvolvimento daquele negócio, o “sistema” se incubirá de fazê-lo. Esse sistema se chama capitalismo.

Feliz então é aquele para quem o prazer está em criar e dar vida aos negócios, se eles tiverem que partir, que seja, ele entende que tudo isso é parte do ciclo do capitalismo. Adaptando a famosa frase de Churchill sobre a democracia poderíamos dizer aqui “O capitalismo é o pior sistema econômico fora todos os outros que já foram tentados”.

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