Um professor de empreendedorismo, o americano Scott Shane analisou dados do Fed e fez ampla pesquisa para o seu livro “Fool’s Gold? The truth behind angel investing in America”.

Com os resultados da pesquisa ele argumenta que aquele ex-empreendedor milionário disposto a investir em novas startups é muito mais raro do que os empreendedores imaginam.

Ele também acredita que encontrou uma série de mitos equivocados sobre a figura do investidor anjo. Em artigo recente do WSJ ele relata 5 desses mitos:

Mito 1: investidores anjo são iguais aos VCs (Venture Capitalists), eles só investem menos. Segundo o professor, os investidores anjo diversificam muito mais seus investimentos do que os VCs. Enquanto os VCs só investem em setores de alto potencial e crescimento, os anjos investem também em restaurantes e lavanderias. Eles gastam muito menos tempo acompanhando os investimentos (menos do que uma hora por semana). Para terminar, somente 5% dos negócios que recebem recursos de anjos proseguem para receber dinheiro de venture capital.

Mito 2: A maior parte dos investidores anjo investe como grupos organizados.
Grupos correspondem a apenas 2% dos investimentos feitos por anjos.

Mito 3: Investidores anjo são investidores ricos e astutos.
O professor nota que apenas 21% desses investidores se enquadram nos requisitos da SEC para ser considerado um “investidor qualificado” (um indivíduo que tenha renda superior a $250mil anuais, um casal com renda superior a $350mil, ou que tenham um patrimônio superior a $1 milhão). A maioria dos anjos acabam não ganhando dinheiro com esses investimentos, e somente 2% dos negócios que recebem investimento de anjos eventualmente chegam até um IPO. Somente 15% dos anjos fazem pesquisa extensa sobre os setores dos negócios em que eles investem.

Mito 4: Anjos investem frequentemente $50mil ou $100mil em negócios, as vezes vão até $500mil ou $1 milhão.
A mediana dos investimentos de anjos está ao redor de $10mil.

Mito 5: Muitas pessoas investem em negócios de pessoas que elas mal conheciam antes.
92% dos investimentos são feitos por amigos ou família. Poucos são feitos por um anjo que não seja nem um nem outro.

A discussão sobre essa pesquisa pode ser boa. Pessoalmente acho que ela não é muito útil para o empreendedorismo. O professor “alargou” demais a base da análise, considerando como investimento de investidor anjo qualquer dinheiro investido em novos negócios. O mito 5 mostra isso, 92% da base dele são investimentos feitos por membros da família ou amigos.

Até concordo que esses investimentos possam ser considerados como “anjo”, mas essa conclusão não nos leva a nada. Melhor seria pesquisar os hábitos dos anjos mais profissionais e descobrir o que uma sociedade precisa fazer para ter mais desses em atividade.

Amigos e família continuarão a apoiar projetos de empreendedores próximos, isso é pura natureza humana, concluir isso não tem muito valor professor. Sugiro que ele volte a pesquisar mais.

foto: http://www.flickr.com/photos/victornuno/301282758/

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