24/06/2009

Carlos Nepomuceno - O Brasil precisa de um partido 2.0

Ontem foi a voz indignada do Clemente Nóbrega, hoje coloco aqui a visão propositiva do Carlos Nepomuceno.


O Brasil já tem uma população bastante criativa. Basta ao governo deixar os brasilieiros serem quem eles são – Bruce Mau - da minha coleção de frases.

Já fui PT.

Quase da primeira leva.

Hoje, acredito que o fundamental é continuar com a idéia lançada na década de 80, que foi esquecida pelo Partido dos Trabalhadores: fortalecer o poder local, conscientizando as pessoas para exercer plenamente a sua cidadania.

Concordo que:

Todo poder corrompe e o poder absoluto corrompe totalmenteLorde Acton, da minha coleção.

Se é essa regra do jogo, e é fato, é preciso criar mecanismos, através do acompanhamento de quem chega lá, para que, através desse controle, tenham menos espaço para sair do trilho.

Um pouco, usando conceitos de Hans Kelsen, ao apontar a diferença entre a democracia representativa para a democracia participativa.

Aqui, estamos 99% por cento na primeira e 1% na segunda.

O importante agora é começar a crescer a participação cidadã, através da possibilidade que a rede nos traz, na qual esse partido ou movimento deveria apostar.

Cada candidato eleito desse movimento/partido deveria abraçar a idéia de fortalecer e estimular os movimentos cidadãos: orçamento participativo, reunião nos bairros, fiscalização das ações dos governos (como aparece aqui e ali em várias cidades), integrando tudo isso, via Redes Sociais.

O Brasil, como outros países do Terceiro Mundo, vive a fantasia do prazer ilimitado.

E está na hora de introduzir quebras nessa neurose, através da saída da democracia do voto, mas esqueço, do voto e participo.

Ou seja, como aqui é muito difícil aqui alguém conseguir aliar prazer com o seu trabalho.

Trabalhamos sem prazer e procuramos na fantasia social nos preenchermos enquanto pessoas.

O trabalho é alienante.

Em um ciclo viciado para conseguir sobreviver nessa neurose das poucas oportunidades brasileira, reclamamos das coisas burocraticamente entre os anúncios da novela, do futebol e do BBB, mas nunca conseguirmos sair da passividade para a ação, com raras exceções.

Fica uma frase do escultor ecológico Frans Krajcberg que vi num curta no Cinema Estação, ao falar sobre a destruição da Amazônia, ele diz:

A passividade do brasileiro é chocante!

Ou seja, entendemos mais da fantasia, do mundo paralelo dos “famosos”. que ocupa um espaço subjetivo enorme, do que de como funciona todas as objetivas e subjetivas que batem na nossa casa, no prédio, no bairro, na cidade, no estado e no país, a verdadeira realidade.

Estamos no mais fundo poço do Matrix, mas não nos damos conta.

Acredito que há a latência por um novo partido/movimento, que ao mesmo tempo que tenta mudar o país, leva as pessoas juntas nesse processo.

E não: deixa que eu mudo, fica só aí me apoiando de longe, uma atitude conservadora.

O mundo hoje, com seu volume de demandas e diversidade social, pede a colaboração e não um “pai do povo”.

Um idéia de mobilização e ação que não está hoje no horizonte, nem do PT e nem do PSDB, muito menos dos outros.

Uma sigla que aposte na organização social, na cidadania, como elemento base de sua constituição e não como um discurso vazio populista para acumular votos para mais alguns anos no poder, que se viu tanto no atual governo como nos anteriores.

E mais ainda.

Que, além do esforço cidadão, acredite na descentralização do poder econômico do estado provedor para o estado articulador.

Que aposte no empreendedorismo como a grande saída para os jovens.

Saiu no Globo, 20/06/09:

Censo mostra que informalidade reina na favela. No Complexo do Alemão 92,3% dos empreendedores não têm negócios legalizados; em Manguinhos, são 93,5%.

Me alinho com o que disse Edna dos Santos-Duisenberg, no Valor, em 18/06/09:

O Brasil tem uma população extremamente jovem, que esbanja talento criativo e sempre está inventando. Isso precisa ser estimulado pelo governo, que deveria encarar o tema como uma estratégia.

Hoje, um brasileiro sonha muito mais em um emprego público, geralmente para chegar lá e fazer o que ele quer fazer, por fora, não como uma carreira, do que jovens querendo se expandir enquanto pessoas, através de projetos de micro e pequenas empresas, sem falar em cooperativas.

Talvez a idéia até de partido não caiba mesmo, que é algo que divide e doutrina, mas de um movimento amplo de cidadania participativa que nas eleições escolha entre as opções que apostem nessa visão de país.

Mudar com todos.

E não mudar, para melhor, a vida do político, de sua família e amigos.

De qualquer forma, um conjunto de pessoas humanistas que imaginem a grande possibilidade da rede não para transformá-la em mais um canal de alienação, mas que possa aproximar as pessoas em cada rua, conectando estas ao bairro, à cidade, ao estado, ao país e ao planeta.

Utopia?

Que bom, precisamos disso nesse mar de pragmatismos!

Concordas?


23/06/2009

Clemente Nóbrega - O Senado Federal, a falta de higiene, e a grande inovação brasileira.

O Camilo Telles teve a idéia e eu gostei, faço o mesmo aqui. Quaisquer idéias sobre o que mais fazer para que essa palhaçada não continue serão bem vindas.

'Nunca (que eu me lembre) costumo copiar integralmente posts ou textos de outros sites, mas neste caso estou fazendo uma exceção, pois gostaria que este texto tivesse a maior divulgação possível. O original está no site do Clemente Nóbrega aqui:' C.T.

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O Senado Federal, a falta de higiene, e a grande inovação brasileira

Li que o Senado Federal tem 10 mil funcionários para 81 senadores (será que li direito,gente?).
Soube também que contrataram a FGV para fazer propostas para a reorganização “da casa”. Hmmmm, estou sentindo aquele cheiro no ar de novo…..
Há situações em gestão (como na vida) em que não é preciso técnica nem conhecimento, basta água e sabão. Se você não toma banho, não corta as unhas, não usa desodorante, não admira que as pessoas fujam de você. É falta de higiene,cara!
Este blog tem opinião.
Dez mil funcionários para 81 senadores? O problema do Senado da República é falta de higiene. Água e sabão. Chega de análises! Não precisa consultoria! Vão tomar banho!
Ainda no espírito dos dois últimos posts: a grande inovação brasileira , para mim, seria o desmantelamento da mentalidade soma zero que impera no “tecido” do país. Lembrem-se, há contextos em que não se consegue não ser corrupto, mesmo que não se queira ser corrupto. NÃO DEPENDE SÓ DE SUA OPÇÃO COMO INDIVÍDUO, DEPENDE DO CONTEXTO EM QUE VOCÊ ESTÁ TAMBÉM
Esta, para mim, é a tragédia brasileira.
Mudar essa mentalidade (que gente culta chama de “patrimonialista”, mas que eu, ignorante das sutilezas sociológicas, chamo de “vagabunda” mesmo) exige um tipo de líder que não existe no Brasil. E não existe porque quem “chega lá” politicamente, tem que se comprometer com o “mau cheiro” se não , não fica lá.
Ser popular não tem nada a ver com ser líder.
O tipo de liderança de que precisamos não será popular. Só pode ser exercida por uma geração de líderes que não tenha como prioridade a permanência no poder a qualquer custo. A proposta delas teria de ser o equivalente brasileiro ao “sangue, suor e lágrimas” de Winston Churchill.
Reformar os sistemas jurídico e político do Brasil é mais importante para a inovação brasileira do que políticas de “investimentos em inovação”. Essas “coisinhas” produziriam mais efeito do que todo o pré sal, do que todos os investimentos em “tecnologia” que possamos fazer, porque atuariam diretamente no coração do problema: nosso enorme deficit da noção de confiança, o que se reflete na ausência de um destino compartilhado, o que leva tanto as elites como as massas a serem soma zero.
A relação de causa e efeito entre confiança e riqueza não é perfeita (pois confiança não é o único fator que determina os níveis de cooperação de um país) mas, cá pra nós, você não acha que já temos pistas suficientes para explicar nossa incompetência em inovar, não?

06/06/2009

Empreendendo na Faculdade

Ontem estive na feira de empreendedorismo dos alunos da FGV em SP. O convite dos professores Homero Psillakis e Gilberto Sarfati foi para ajudar a avaliar os projetos em termos de inovação, viabilidade e apresentação.


Dentre os 20 estandes montados pelos grupos de alunos, alguns se destacavam com apresentações muito bem feitas (melhor do que de muito marmanjo que se diz empreendedor por aí).

Foi interessante ver a extensão das idéias que são desenvolvidas num projeto como esse. A maioria, por ser um faculdade de negócios, acaba sendo de tentativas de mexer com o modelo de negócios, a distribuição, conceitos e marcas. Poucos projetos são baseados em inovação tecnológica.

O que mais chama a atenção é o entusiasmo de alguns falando de como será o seu novo negócio. Muitos grupos pareciam que realmente pretendiam levar o projeto para a rua, e não só cumprir uma exigência acadêmica. A viabilidade do negócio tinha sido bem pensada e muitos alí tem mesmo condição de fazer aquilo acontecer.

Hoje já é justo dizer que a faculdade esta formando gente com capacidade para empreender e não mais para tirar xerox em escritórios de multinacionais avessas a risco. Esses alunos já percebem que podem escolher seu próprio caminho profissional e podem criar muito mais valor do que aprendendo regras de etiqueta corporativa (bem questionáveis diga-se de passagem).

Ainda acho que o maior ganho virá quando uma faculdade como a FGV fizer um projeto desse em conjunto com uma faculdade de engenharia. Se juntar as competências de negócios desses alunos de administração com as competências técnicas do pessoal de engenharia, o resultado pode ser muito positivo e um nível ainda maior de inovação ser alcançado.

De qualquer forma fica aqui o meu parabéns e boa sorte para todos os novos empreendedores que estão enxergando uma nova possibilidade profissional e também um parabéns e agradecimento para os professores que estão guiando esses alunos.