18/12/2008

Vale a pena captar $ com investidor inexperiente?


Ontem foi dia de ResultsOn Startup day e tive o prazer de participar falando um pouco sobre "Empreender no meio da crise?".

Um dos pontos que procurei colocar foi que o empreendedor também deve ser bem seletivo com relação ao investidor que será seu sócio. No final me perguntaram mais sobre isso e acho que ficou um pouco de dúvida sobre o assunto.

O ponto principal é que o investidor que vale a pena (anjo ou venture capital) tem um ativo muito mais importante para o empreendedor do que só dinheiro, chama-se experiência. Alguns desses já percorreram o caminho que você está prestes a começar. Já erraram muito, já ganharam e já perderam, isso tem um valor enorme para o empreendedor.

Enquanto isso, o investidor novato irá aprender tudo isso junto com você. Os erros serão cometidos pela primeira vez com o seu negócio, com o seu contrato, com o seu relacionamento, que tal? Não obrigado!

É claro que todo investidor terá que fazer um primeiro investimento com alguém. Ótimo, respeito, desde que não seja em empresa minha.

A situação em que não vejo nenhum problema em ter um investidor novato a bordo, é se houver um outro experiente junto. Assim o novato ficará bem mais comedido e aprenderá com o outro mais experiente, você não precisa fazer o papel de primeira cobaia.

De qualquer forma fica aberto o espaço para um questionamento maior, se quiser, comente.

Aproveito para parabenizar o Ariel, o Mack e Manoel pelos prêmios de ontem , totalmente merecidos, parabéns!

12/12/2008

Oportunidade para liderar equipe de tecnologia

De um post bastante interessante do Seth Godin: “A decisão de marketing mais importante que a maioria das pessoas toma é também uma em que geralmente se investe pouco tempo: onde você trabalha. Pense nisto. O seu emprego determina não somente o que você faz o dia todo, mas o que você aprende e com quem você interage.”.

Estamos procurando um líder para atuar em um dos nossos empreendimentos.

O desafio: liderar uma equipe de desenvolvimento de software (cerca de 25 pessoas) e guiar a evolução dos processos para ganharmos mais eficácia e velocidade na evolução dos produtos e no atendimento das necessidades dos clientes.

O que estamos buscando: espírito empreendedor, conhecimento e experiência em lideranças de equipes de desenvolvimento de software, grande conhecimento de implantação de processos como Scrum, RUP, XP.

O benefício: trabalhar em uma empresa com um modelo de negócios inovador, objetivos grandiosos, uma carteira de clientes excepcional ,um grande crescimento e um ambiente extremamente ético, transparente e participativo (premiada como a 13ª melhor empresa de TI para se trabalhar, segundo o instituto Great Place to Work).

A empresa: Direct Talk (www.directtalk.com.br)

Interessados podem entrar em contato via e-mail com o Alexandre – responsável por toda a tecnologia: alexandre@directtalk.com.br

06/12/2008

Até o Paul Graham pode se enganar


Eu tenho admirado muito o Paul Graham, seus escritos e a sua YCombinator. Já postei muito sobre ele aqui neste blog. Nessa semana que passou ele escreveu um novo artigo argumentando que o Venture Capital pode se dar mal com a recessão. "Could VC be a casualty of the recession?".

Dessa vez eu vou me permitir discordar dele. A idéia central do artigo é que os VC's estão se tornando desnecessários. O custo de começar uma startup está despencando e a nova geração de fundadores está conseguindo se virar "bootstrapping" ou com muito pouco capital de terceiros.

A queda do custo é bem óbvia, podemos ver isso aqui no Brasil também, mas o que me preocupa é que ele parece gostar muito da menor, ou nula, participação do venture capital no processo de criação de startups.

Se os empreendedores deixarem de contar com o dinheiro do venture capital eles não estarão "se dando bem" como o Graham parece achar.

O venture capital não aporta só dinheiro, é muito mais do que isso. O principal aporte é de fazer o empreendedor pensar grande, pensar excelência, pensar mudar o mundo e não apenas criar uma empresinha para se sustentar.

Quando o empreendedor tem que buscar recursos para seu projeto, ele tem que ralar muito, tem que pensar em cada aspecto do projeto. O time está forte? O mercado realmente existe? os clientes precisam mesmo disso? O modelo de negócios é mesmo viável? Esse negócio pode mesmo escalar para um patamar maior?

Será que é ruim ter que pensar longamente em tudo isso? Será que para o futuro do negócio é ruim ter que fazer muita lição de casa? Claro que não!

Depois de ralar para conseguir captar recursos, o empreendedor investido vai passar a lidar com uma convivência que vai sempre exigir o melhor dele, do seu time e do negócio. Isso é ruim?

Os gestores de VC vão apresentar o empreendedor para outros empreendedores de alto nível. Eles trocarão idéias, práticas, experiências, vão poder aprender um com o outro. Isso atrapalha ou engrandece?

Desde que comecei a lidar com o venture capital em 2001, nunca me arrenpendi, sempre percebi que no final do dia aprendi mais do que perdi.

Espero que os admiradores do Graham, como eu, não caiam na armadilha de achar que o melhor caminho para o empreendedorismo inovador passa pela extinção do venture capital. Isso é uma bobagem enorme. Há sim, uma série de empreendimentos que poderão nascer e se desenvolver sem grana de investidores, mas isso não significa que também não haja uma outra série que serão construídos com a experiência de conviver e aprender com eles.

A oportunidade que se apresenta agora é outra Graham. O momento é bom para limar do mercado aqueles investidores de primeira viagem que só vivem atrás de captar recursos, esnobar empreendedores e botar dinheiro em projetos furados. Esses podem ir pro espaço porque não farão a menor falta. Os bons VC's devem ficar e ajudar os empreendedores a construir a nova geração de empresas inovadoras.

Como distinguir o joio do trigo? É simples. Perguntando para os empreendedores que já receberam investimento deles. Pergunte. Se o investidor não tiver nenhum empreendedor investido para te apresentar, dê a ele mais um tempo para aprender o ofício e depois volte a conversar. Enquanto isso, siga fazendo a licão de casa e procurando um bom investidor, ele certamente aparecerá para quem se prepara.






crédito foto: http://www.flickr.com/photos/indieink/313415249/

05/12/2008

Capitalismo 2.0

O Taleb já está bem conhecido por muita gente graças a sua teoria do cisne negro. Nesta entrevista com o Charlie Rose ele explica pessoalmente a idéia para quem ainda não viu, mas o que me interessou mais foi a visão sobre o futuro.

Como deve emergir a nova versão do capitalismo no pós-crise? Bancos virando empresas de serviço público (as chamadas utilities co's.), muito menos dívida e alavancagem. Uma volta ao básico.

Interessante (e assustador) também a previsão dele de que o pior ainda está por vir. O medo é que a quantidade de ativos que ainda tem que ser vendidos no mercado seja muito maior do que o apetite renovado para compras.

Gosto muito da visão "back to basics". Ações são apensas pedaços de empresas reais que desenvolvem produtos e serviços para atender seus clientes. Acho que já já começa a ficar mais claro que comprar títulos do governo americano para ganhar 2% ao ano por 10 anos será um péssimo negócio.

Será mesmo que não podemos criar empresas que gerem mais do que isso? Dúvido que não. Mas primeiro precisa limpar o pavor que grudou na mente de incautos e de aloprados.



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