29 de nov de 2008

Nós podemos voar!

Esse comediante Louis CK me fez rir bastante com essas constatações que hoje em dia nós só reclamamos de tudo e não reconhecemos o tamanho dos "milagres" tecnológicos que fomos capazes de criar.

Faz imaginar qual será a nova onda de inovações tecnológicas que vão impulsionar o mundo depois dessa crise intensa. Uma coisa é certa: tem muita gente já trabalhando nela. E você? Vai participar ou vai ficar só olhando com cara de bundão? A melhor hora para começar a empreender é durante a crise, não consigo deixar de acreditar nisso.

Dê umas risadas com esse maluco e depois volte para suas idéias...

22 de nov de 2008

Quem é o cliente do gestor de Venture Capital?

A maioria enxerga que o cliente do venture capital são os investidores que colocam os recursos nos fundos que eles administram. É uma linha de pensamento lógica e bem fácil de entender, afinal, se esses investidores não colocassem os recursos nos fundos eles não teriam grana para investir nas empresas e o negócio não existiria.

Os empreendedores que encontram os VCs que acreditam muito nisso sabem bem como são as conversas (há exceções, claro). Aquele olhar de cima para baixo, aquela falta de paciência com mais um "mala" que quer captar dinheiro do fundo dele.

A ilusão de superioridade evidente afasta qualquer empreendedor um pouco mais inteligente.

Eles acham que a atividade principal é captar os recursos, depois disso é fácil, é só esperar os tontos fazerem fila na porta. Ledo engano...

Até alguns VCs conhecidos por serem mais "progressistas", como o Brad Feld do Foundry Group abrem o jogo mostrando sua escala de prioridades. Reparem que o empreendedor investido é o sexto da lista dele, logo depois dos investidores do fundo.

Podemos pensar diferente? Sim. Vejam como a visão do Fred Wilson nesse post de 2005, "The VC's Customer" é muito mais inteligente. Agora o investidor do fundo vira o acionista e o empreendedor o cliente.

"Money on the other hand is a commodity, whether its in the hands of the LPs (limited partners -os investidores dos fundos) or the VCs. Money flows to the best returns and always will."

"I start with the value chain. The entrepreneur creates the value, they are the "raw material" in the venture capital business. If there were no entrepreneurs, there would be no venture capital business. So the VCs who treat the entrepreneur like the customer and invest heavily in customer service will be rewarded with the loyalty of the most important component in the value chain."

E aí? Bem melhor, não é? Também acho.




crédito imagem: http://www.flickr.com/photos/spiff_27/83577522/

Centro de Empreendedorismo da FGV convida


Esse post é para ajudar na divugação do FGV Latin Moot Corp 2009 do Centro de Empreendedorismo da FGV. O Professor Corrêa e o Rene Rodrigues estão sempre engajados no desenvolvimento do empreendedorismo.

CALL FOR GREAT IDEAS

The FGV Latin Moot Corp contest wishes to bring to Sao Paolo a representative from each of the most important schools from countries in Latin America and Europe. Since it's first edition have already participated schools from Brazil, Peru, Colombia, Costa Rica, Argentina and Mexico. The FGVcenn would like to invite you and your school to participate, preparing a team to be in next year's competition. The competition will take place on March, the 11th, 12th and 13th; 2009.
Participation in the FGV Latin Moot Corp Competition offers MBAs and all other graduate students the following opportunities:

-To network with fellow MBAs from the best business schools in the world,

-To improve their business plans both from the preparation involved and from investors’ suggestions, and

-To make contact with venture capitalists and other investors.
Growing recognition as well as recent publicity has resulted in the Latin Moot Corp Competition being significantly oversubscribed. To reserve your participation, please confirm your acceptance by emailing the attached Intent to Compete form no later than November, 30th. The Eligibility Rules and Submission Guidelines can be reviewed at www.fgv.br/latinmootcorp. Also note that you must furnish us with the name of your team and its members by January 18th in order to participate.

We are genuinely pleased to invite you to participate, and we intend to make the 2009 Competition an exciting and memorable experience.

For further information about the FGV Latin Moot Corp and rules, please check our website. For any other question do not hesitate in contacting me on the phone +55 11 3281 3627, or via e-mail at rene.rodrigues@fgv.br.

Sincerely yours,

Rene José Rodrigues Fernandes
Latin Moot Corp Director
Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios
Fundação Getulio Vargas
rene.rodrigues@fgv.br
+55 11 3281 36 27

20 de nov de 2008

Empreendedorismo sem Venture Capital?

Algumas previsões bem pessimistas estão sendo feitas para a indústria de Venture Capital. O argumento principal é que o balanço entre o dinheiro que entra para os fundos (captações) e o que eles são capazes de gerar (lucros na venda das empresas investidas) ficou negativo.

Alguns já estão dizendo que não será possível reverter isso. Seria mais um modelo (além do de banco de investimento e das montadoras americanas) a ser tombado e reconstruído. A apresentação abaixo ilustra bem o cenário pessimista.

TheFunded - Canarie
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A explicação para esse cenário é simples:
  • novas captações estagnadas: os investidores que colocam dinheiro nos fundos de VC estão perdendo muito dinheiro em outras classes de ativos (Bolsa, papéis corporativos, hedge funds, etc.). Enquanto o mercado estiver ruim como agora, não haverá um tostão novo para os VCs.
  • "saídas" estagnadas: (venda de empresas investidas) por IPO's inexistentes. A lei que veio após os escândalos da Enron e Worldcomm, a famosa "SOX" acabou com o apetite de empreendedores por IPO's. Os custos e o risco para a pessoa física do CEO são tão grandes que o empreendedor prefere vender a empresa mais barato do que assinar os reports da SEC (a CVM americana). Veja esse post sobre o assunto.
O gestor de fundo de venture capital discorda dessa visão (é óbvio). Quem melhor argumenta contra o cenário pessimista é o Fred Wilson aqui. Perceba que mesmo discordando, ele assume que haverá muito fundo sendo fechado no próximo ano.

O cenário mais realista parece ser um de bem menos recursos para os gestores investirem e bem menos alavancagem nas vendas das empresas para os empreendedores.

E qual é o impacto disso tudo para nós empreendedores?

É positivo, explico:

Excesso de grana de investidores não é bom para o empreendedor. Preciso lembrar de tudo o que aconteceu em 2000? O tipo de empreendedor que é atraído nas fases de fartura de capital é o pior possível. Não constrói nada de valor, sustentável, e acha que vai faturar milhões sem ralar.

O cenário agora não está para Gérsons. Que fiquem longe. Sem a fartura ilusória, certamente só toparão assumir os riscos de empreender, aqueles que são movidos por ideais mais fortes do que simplesmente ganhar uma boa grana fácil. A visão do Tim O'Reilly "work on stuff that matters" é muito boa.

É bom lembrar que os fundos de VC brasileiros (que são bem poucos) vivem uma realidade bem mais adequada à realidade. Nunca viveram uma bonança maluca como nos EUA e sempre procuraram investir em empreendedores sérios, com projetos construtivos.

Empreendedores com equipes diferenciadas, que estiverem trabalhando duro, com os pés no chão, procurando gerar valor para seus clientes, certamente continuarão atraindo capital para suas necessidades (muitas vezes nem é preciso grandes quantias) e sairão dessa crise com empresas promissoras, sustentáveis, que mostrarão que somos capazes de aprender com todos os erros que cometemos como capitalistas que somos.

16 de nov de 2008

Técnico ou Negócios, qual o melhor perfil?

Existe uma certa discórdia sobre qual o perfil ideal para os fundadores de startups tecnológicas. O Tony Wright é um dos que defendem que o fundador tem que ter perfil técnico, tem que saber programar, criar produtos.

Nesse post ele chegou a questionar se haveria espaço numa startup para um fundador com perfil de negócios. Mas agora ele parece mudar de idéia (até foi lá editar o post antigo), veja a nova visão no seu último post aqui. Agora ele acha que depende da fase em que se encontra a startup. Os comentários que fizeram no post são bem interessantes, vale a pena dar uma lida.

Penso diferente dele. Por ter um perfil de negócios, poderia ser uma defesa em causa própria, mas na verdade é pura observação e experiência prática que me dizem que esses gráficos que ele usou para indicar o valor dos perfis ao longo do tempo estão equivocados.

A importância dos dois perfis é igualmente importante durante todas as fases! O cara técnico é fundamental durante todas as fases, assim como o de negócios. A complementariedade gera uma enorme riqueza para a startup. É bobagem achar que no início só existe espaço para conversas sobre o produto e a tecnologia. E o mercado? Os clientes? Sair programando sem saber qual é o propósito do negócio também é uma ótima opção para desperdiçar recursos.

Da mesma forma é equivocada a visão de que mais para frente na vida da startup não há muito espaço para o técnico. E a nova geração de produtos adaptados às novas necessidades do mercado? E a avaliação tecnológica de uma oportunidade de aquisição de outra empresa?

Essas visões que enxergam oposições ao invés de complementos não são muito boas. A mania de achar que todo cara de negócios é um MBA que acha que sabe tudo é tão boba quanto achar que todo cara de tecnologia é um nerd que não tem noção nenhuma de como tocar uma empresa. A vida real não é assim. Os dois se complementam, e juntos constroem excelentes empresas.




crédito das imagens: http://www.tonywright.com

13 de nov de 2008

Proposta inovadora

A idéia pode ser radical demais, a resistência seria absurdamente grande, mas o resultado final poderia ser a melhor solução para um sistema que quebrou.

Quando o mundo financeiro parecia que ia acabar, o tesouro americano criou um plano de emergência (TARP) para evitar o pior. Todos sabiam que o plano não era o ideal, mas a atitude era extremamente necessária. Passado o pânico, idéias melhores começaram a surgir. O modelo europeu de comprar ações dos bancos em dificuldades pareceu melhor e mais justo.

Agora, no melhor estilo empreendedor, e que deixaria Schumpeter orgulhoso, surge uma proposta inovadora.

Construir um sistema bancário inteiramente novo! Essa é a idéia do Salman Khan e do David Leinweber. O artigo "New American Bank Initiative" pode ser lido na íntegra aqui.

A idéia é relativamente simples, ao invés de usar os $700bi do TARP para comprar ativos "podres" ou comprar ações dos bancos que causaram todo o problema, o dinheiro deve ser usado para criar 20 novos bancos. Cada banco com $35bi de capital novo.

Por que fazer isso? Porque os bancos atuais estão dando sinais claros de que não repassarão esse dinheiro para a economia real na forma de crédito. Os balanços estão muito fracos e a coragem de dar novos créditos é nula. O receio é que o dinheiro do povo americano será represado e depois usado para distribuir dividendos e pagar bônus para os executivos, o que seria inaceitável.

Na visão dos dois, o plano na sua forma atual só retardará a morte certa desses bancos dinossauros, a extinção é certa. Então é melhor aproveitar o momento e criar um sistema novo.

Os novos bancos seriam dos cidadãos americanos, cada banco teria 300milhões de ações (uma para cada cidadão) que poderiam ser negociadas na bolsa. Quem quiser vende sua ação. Assim não seria necessário estatizar o sistema.

Para operar rapidamente, os novos bancos comprariam os ativos operacionais (agências, sistemas, computadores) dos bancos quebrados. Os empregos seriam preservados, as equipes operacionais seriam absorvidas pelos novos, só mudam os gestores.

Os depósitos nos bancos atuais já são garantidos pelo FDIC, então mesmo com a quebra dos bancos atuais, os americanos não perderiam seu dinheiro. Quem perderia seriam os banqueiros que criaram o monstro.

Com o capital e gestão renovados, a nova geração de bancos geraria $7,0trilhões em empréstimos para a economia real, acabando com a contração atual e fazendo com que a roda que travou, gire novamente.

Estaria assim aberta a oportunidade para surgir um Google do mercado financeiro. Quem sabe um "GBank" não seria o novo propulsor de uma nova onda de desenvolvimento sustentável. Utopia? Ingenuidade? O que você acha?






Wall street Photoillustration by: Ji Lee





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Empreendedorismo tecnológico na Unicamp

O Paulo Lemos da agência de inovação INOVA Unicamp convida os empreendedores interessados:

Venha transformar sua idéia em plano de negócios com apoio da Unicamp, IBMEC-SP, FGV-SP e fundos de investimento!

Conheça todas as possibilidades da pré-incubação e as escolas de administração e negócios que apóiam e dão suporte aos projetos pré-incubados no evento da Semana Global de Empreendedorismo.

Empreendedorismo tecnológico e pré-incubação na Unicamp: como gerar mais projetos e empresas?

Local: Auditório do Instituto de Física - Unicamp
Data: 17 de novembro de 2008
Horário: 12:00 - 14:00
Público alvo: alunos (graduação e pós), professores, pesquisadores.

*Confirme sua presença no evento (gratuito) enviando email para rfarinassi@inova.unicamp.br

Inscreva já a sua idéia!

www.inova.unicamp.br/pre


Se a sua idéia for selecionada, você poderá criar um plano de negócios com o apoio acadêmico e de mercado de professores e profissionais do Instituto de Economia da Unicamp, do Centro de Empreendedorismo do IBMEC-SP e do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da FGV-SP (GVcepe). Os projetos poderão receber investimentos de fundos como o Master Minds e o Criatec (BNDES).

O apoio aos projetos será coordenado pela Agência de Inovação Inova Unicamp.

11 de nov de 2008

Empreendedores e a Bolsa de Valores

O momento é de expectativa por mudanças. A crise e a eleição do Obama são os drivers principais. Muita coisa está quebrada e precisa de reforma, a Bolsa é uma delas.

Como muitos, admito que nessa crise fui sugado para dentro da Bovespa. Primeiro para tentar proteger o que já estava investido e depois para aproveitar as oportunidades com as barganhas e a alta volatilidade.

Nesse processo de retrocesso ao papel de "especulador" travestido de investidor de longo prazo tenho pensado sobre os problemas do sistema atual.

O tema me interessa muito porque a Bolsa sempre foi um objetivo de muitos empreendedores. Tanto dos grandes quanto dos menores, é só ver o último workshop da Endeavor "Bovespa Mais como alternativa de financiamento para empreendedores".

O que aconteceu com os empreendedores que embarcaram na onda de IPO's do ano passado? Muitos botaram uma boa grana no bolso, mas suas empresas estão sofrendo como nunca. O que era para ser uma grande conquista virou um grande pesadelo. Equipes que acharam que ficariam milionárias com suas stock options viram tudo virar pó. Ao invés de estarem trabalhando com seus clientes, ficam todos acompanhando os preços das ações nos homebrokers. Ninguém foi bobinho, longe disso, mas o que estamos vendo agora mostra que o sistema é disfuncional.

Como pode algumas empresas serem precificadas na bolsa abaixo de seu valor patrimonial apenas meses depois de "road shows" vendendo múltiplos exuberantes? Os famigerados bancos de investimento ganharam milhões vendendo gato por lebre na onda de IPO's de 2007? Como o modelo atual permite uma falha tão grotesca?

Vejam alguns exemplos: com as cotações de hoje na Bolsa, a Cremer vale menos do que o seu patrimonio líquido contábil (94% do PL), a Bematech está valendo só 77% do seu patrimônio líquido, e a Iguatemi vale apenas 66% (um terço do seu valor patrimonial já é ignorado). Um módico detalhe: todas essas empresas dão lucro e distribuem dividendos!

O tão inteligente e eficiente "livre mercado" causa uma barbaridade dessas.

Além dos investidores que compraram as ações nesses IPO's, quem perdeu muito com isso foram os empreendedores. Empresas muito bem administradas, com excelentes perspectivas estão passando por maus bocados por terem aberto o capital. Gastaram dezenas de milhões com os bancos de investimento e agora estão largadas a própria sorte no fundo do poço.

Esse processo todo gera uma extrema financeirização dessas empresas, suga o tempo dos gestores para questões meramente financeiras de curto prazo. O foco fica em tentar reduzir o impacto sobre o negócio, promovido pela queda absurda do preço de suas ações.

A destruição de valor é enorme e não serve a ninguém que mereça. Todos perdem, a não ser os discípulos de Benjamin Graham. Mesmo tentando também ser um deles, não acho que seja justo com quem efetivamente cria valor (empreendedor).

Como mudar isso?

Tenho uma idéia, quem quiser pensar junto é totalmente bem vindo, quem quiser criticar também.

O Banco de investimento que leva uma empresa ao mercado aberto deve assumir uma responsabilidade maior. Para justificar o tamanho do ganho que tem com os IPO's, eles devem se responsabilizar por garantias mínimas de preço pelos primeiros 24 ou 36 meses de negociação das ações da empresa. Por que não uma garantia de compra das ações pelo preço equivalente ao valor patrimonial da empresa? Não deveria ser o mínimo que eles deveriam garantir aos novos investidores?

Se houvesse um piso desses acredito que muita irracionalidade seria retirada do mercado. Alguns podem argumentar que os programas de recompra são exatamente isso, mas não acho que sejam o suficiente.

Esses programas servem para as empresas já conhecidas e bem estabelecidas, as novatas não ganham nenhuma credibilidade quando os anunciam. Eles são amplamente ignorados e o mercado continua a castigar os preços. O caixa que deveria ser usado para criar valor é usado como sacos de areia tentando fazer uma represa. Além disso, são geradores de mais lucros para o mesmos bancos de investimento.

Em um longo excelente artigo recente, Michael Lewis fala sobre o fim da era que definiu Wall Street. Fiz como ele, larguei o mercado muitos anos antes da loucura terminar (exatos 10 anos antes). Mas o dia finalmente chegou. Agora temos que aproveitar o momento para reconstruir aquilo que está errado, porque do jeito que a Bolsa está, não vale mais a pena nem assistir ao workshop da Endeavor.








foto: http://flickr.com/photos/78629042@N00/479370088

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2 de nov de 2008

5 mitos sobre o investidor anjo


Um professor de empreendedorismo, o americano Scott Shane analisou dados do Fed e fez ampla pesquisa para o seu livro "Fool's Gold? The truth behind angel investing in America".

Com os resultados da pesquisa ele argumenta que aquele ex-empreendedor milionário disposto a investir em novas startups é muito mais raro do que os empreendedores imaginam.

Ele também acredita que encontrou uma série de mitos equivocados sobre a figura do investidor anjo. Em artigo recente do WSJ ele relata 5 desses mitos:

Mito 1: investidores anjo são iguais aos VCs (Venture Capitalists), eles só investem menos. Segundo o professor, os investidores anjo diversificam muito mais seus investimentos do que os VCs. Enquanto os VCs só investem em setores de alto potencial e crescimento, os anjos investem também em restaurantes e lavanderias. Eles gastam muito menos tempo acompanhando os investimentos (menos do que uma hora por semana). Para terminar, somente 5% dos negócios que recebem recursos de anjos proseguem para receber dinheiro de venture capital.

Mito 2: A maior parte dos investidores anjo investe como grupos organizados.
Grupos correspondem a apenas 2% dos investimentos feitos por anjos.

Mito 3: Investidores anjo são investidores ricos e astutos.
O professor nota que apenas 21% desses investidores se enquadram nos requisitos da SEC para ser considerado um "investidor qualificado" (um indivíduo que tenha renda superior a $250mil anuais, um casal com renda superior a $350mil, ou que tenham um patrimônio superior a $1 milhão). A maioria dos anjos acabam não ganhando dinheiro com esses investimentos, e somente 2% dos negócios que recebem investimento de anjos eventualmente chegam até um IPO. Somente 15% dos anjos fazem pesquisa extensa sobre os setores dos negócios em que eles investem.

Mito 4: Anjos investem frequentemente $50mil ou $100mil em negócios, as vezes vão até $500mil ou $1 milhão.
A mediana dos investimentos de anjos está ao redor de $10mil.

Mito 5: Muitas pessoas investem em negócios de pessoas que elas mal conheciam antes.
92% dos investimentos são feitos por amigos ou família. Poucos são feitos por um anjo que não seja nem um nem outro.

A discussão sobre essa pesquisa pode ser boa. Pessoalmente acho que ela não é muito útil para o empreendedorismo. O professor "alargou" demais a base da análise, considerando como investimento de investidor anjo qualquer dinheiro investido em novos negócios. O mito 5 mostra isso, 92% da base dele são investimentos feitos por membros da família ou amigos.

Até concordo que esses investimentos possam ser considerados como "anjo", mas essa conclusão não nos leva a nada. Melhor seria pesquisar os hábitos dos anjos mais profissionais e descobrir o que uma sociedade precisa fazer para ter mais desses em atividade.

Amigos e família continuarão a apoiar projetos de empreendedores próximos, isso é pura natureza humana, concluir isso não tem muito valor professor. Sugiro que ele volte a pesquisar mais.


foto: http://www.flickr.com/photos/victornuno/301282758/

1 de nov de 2008

7 regras para inovação

Tenho defendido que a crise atual é uma excelente oportunidade para empreendedores.

As falas do Tim O'Reilly tem sido as mais inspiradoras, as do Clay Shirky as que explicam melhor as mudanças culturais que a web vem promovendo e as do Paul Graham as mais práticas sobre o mundo das startups.

Agora adiciono mais uma excelente voz ao trio citado acima, a do Ethan Zuckerman, que recentemente publicou um excelente post sobre inovar a partir de restrições. O foco dele tem sido o desenvolvimento na Africa. Os problemas por lá são "um pouco mais embaixo". A inovação assume uma cara mais básica, mas não menos útil para inspirar empreendedores que buscam inovação por todos os cantos.

Ele cita sete regras para a inovação argumentando que ela surge a partir de circunstâncias difíceis e não usuais (como a crise atual) e sugere que é mais sábio procurar por inovação em lugares onde as pessoas estão tentando resolver problemas concretos e difíceis, ao invés de lugares onde pessoas inteligentes estão rabiscando idéias abstratas em folhas em branco.

As sete regras citadas por Zuckerman que aparentam explicar como a inovação surge:

- inovação vem de restrição (se você tem poucos recursos, você é forçado a ser criativo)

- não lute contra a cultura (se as pessoas cozinham mexendo seus cozidos em suas panelas, elas não irão cozinhar usando um forno solar, não importa como você venda isso para elas. Faça um fogão melhor para elas ao invés disso.)

- aceite e use os mecanismos de mercado (oferecer de graça não funciona tão bem como vender)

- inove encima de plataformas existentes (Na Africa eles já tem muitas bicicletas e celulares, mais um monte de metal para soldar. Inove usando essas coisas, ao invés de trazer materiais totalmente novos)

- problemas não são sempre óbvios olhando de longe (você realmente tem que viver numa sociedade para entender os seus problemas)

- o quê você tem importa mais do que o quê te falta (se você tem uma bicicleta, considere o que você pode construir baseado nisso, ao invês de se preocupar por não ter um carro)

- infraestrutura pode gerar mais infraestrutura (ao construir a infraestrutura de telefonia celular na Africa eles podem estar construindo uma infraestrutura energética).

Nesses tempos de extrema "virtualização" de tudo acho bom procurar inspiração nas coisas mais simples e mais básicas que ainda assolam nossa "pale blue dot" (lembrando Carl Sagan).

foto: http://www.flickr.com/photos/whiteafrican/1569962067