27/10/2008

O intercon por dentro da cabeça de um palestrante

Neste último sábado participei como palestrante convidado do Intercon 2008. O Luli Radfahrer e o Tiago Baeta avisaram na época do convite que seria uma "gelada". O Luli bolou o FF08 com um formato totalmente inovador e os palestrantes provavelmente assumiriam uma boa dose de risco. Acho que foi isso mesmo que mais me animou.

A inovação estava na dinâmica das apresentações, o palco foi divido em dois e os palestrantes, falando simultanêamente, competiam pela audiência da platéia (lotada, com mais de 800 pessoas).

Todos na platéia tinham um fone de ouvido com dois canais, no 1 ouviam o palestrante da esquerda, no 2 o da direita. Sem o fone, um estranho silêncio. Os mais malucos ficavam "zapeando" sem parar.

O intercon é conhecido pela maior concentração de "geeks" por m2, são caras altamente qualificados, muito críticos e que não perdoam os deslizes com suas tuitadas "in your face".

Enquanto eu esperava sentado no palco, assistindo a poucos metros o show do Manoel Lemos e o Yoda com seu sabre de luz, imaginava o cenário armado para mim com uma chuva de "twitomatos" (a visualização que eu tinha em mente, os tomates sendo arremessados pelo twitter).

O Manoel roubou toda a atenção para o nosso lado do palco. Lá no outro canto, escuro com a sombra do sabre vermelho, a Oracle ia sumindo dos ouvidos da galera.

Chegou a minha vez, madoninha na orelha, fone de retorno na cabeça, me sentia um astronauta.
Aos poucos fui soltando minhas idéias sobre empreendedorismo, a oportunidade na crise, as coisas que fizeram minha trajetória como empreendedor ter sido tão recompensadora.

A platéia não parecia reagir, um certo silêncio, será que estavam atentos ou dormindo? Não dava para perceber. Para o final, com uma foto da esposa no slide, tinha guardado um ponto chave para a minha trajetória. Todo o apoio que tive na minha vida pessoal. Queria falar o quanto uma pessoa que te espera todo final de dia com um sorriso e palavras de apoio, faz a diferença para o empreendedor.

Na hora "H" a garganta fechou, quando vi a foto dela no telão, a emoção dominou a razão e o tempo parou. Mas aqueles que eu mais temia deram o impulso final, as palmas pareciam refletir em mim e ir direto para ela. Pude ver 800 pessoas aplaudindo o que ela fez por mim. Inesquecível.

Valeu intercon, um empreendedor e todo o empreendedorismo agradecem.

Para quem assistiu, só mais uma coincidência dessas da vida, a minha mulher também chama Luli!

Abaixo os slides que usei na apresentação.

Daniel Heise FF08 Intercon
View SlideShare presentation or Upload your own. (tags: intercon 2008)



crédito foto: http://www.flickr.com/photos/thiagomelo/

19/10/2008

Pensamento contrário

Enquanto os sinais da crise vão ficando mais evidentes e a manada vai se apavorando, alguns poucos, com clareza e objetividade, parecem enxergar melhor através da fumaça.

Três artigos dessa semana são obras primas do pensamento contrário, aquele que se recusa a seguir o senso comum e procura entender melhor o que está acontecendo para aproveitar as oportunidades.

Primeiro o mais famoso, novamente o Warren Buffett que escreveu para o NY Times "Buy American. I am" O aviso dele é simples e foi repetido exaustivamente nos últimos dias em diversos meios "Be fearful when others are greedy, and be greedy when others are fearful" que traduzindo significa "Seja medroso quando os outros estão gananciosos, e seja ganancioso quando os outros estão medrosos". É o famoso "venda na alta e compre na baixa".

Ainda melhor que esse foi o artigo do Scott Belsky "Why the fall of Wall Street is good", indicação do Diego Monteiro. Ele fala como a ilusão do dinheiro fácil do mercado financeiro ficou para trás e agora as melhores cabeças deixarão de serem atraídas para essa armadilha e terão a oportunidade de criar negócios de valor real.

O melhor de todos foi o do Paul Graham "Why to start a Startup in a bad economy". Neste artigo ele fala como o estado da economia é quase que irrelevante para determinar o sucesso de um novo negócio inovador (não está falando de restaurantes, serviços, comércio, etc.., o foco do Paul Graham são as startups de tecnologia/web).

Ele lembra bem que o período atual nos EUA começa a se asemelhar com a recessão dos anos 70, foi naquela epoca que foram fundadas a Apple e a Microsoft...

"As startups falham ou tem sucesso baseado nas qualidades dos empreendedores. A economia tem algum efeito, mas como fator determinante do sucesso é só um erro de arredondamento comparando com a qualidade dos fundadores"

Se você tambêm gosta de desafiar o senso comum e entende que o momento é propício para pensar assim, leia os artigos, são inspiradores para os tempos atuais.





Reblog this post [with Zemanta]

16/10/2008

Menino Prodígio

A história desse menino de 5 anos é impressionante. Talvez por ser pai de dois meninos eu tenha ficado mais ligado, mas vale a pena assistir. Um novo Tiger Woods? Aos três anos ele era melhor que o Tiger, mas já tinha perdido um olho para um câncer e depois quase morrido com uma infecção no sangue.

Como aprendeu a jogar golfe? Sozinho, assistindo na televisão. O nome dele é Kyle Lograsso. Se não virar golfista, com tanta determinação e talento, tem tudo para ser um excelente empreendedor.




Reblog this post [with Zemanta]

08/10/2008

Risco, sempre ele


Risco. O tema é fascinante. Quem gosta deveria ler o excelente livro do Peter Bernstein "Against the Gods, the remarkable story of risk". Já li há um bom tempo, mas nas condições atuais está dando vontade de ler novamente.

O momento é propício para lembrar que o risco é, e sempre será um dos maiores companheiros dos empreendedores. Não tem jeito, ele aparece em todos os cantos. Apavora muitos, mas oferece grandes oportunidades para quem ousa suportá-lo. Nos tempos de crise, quem consegue conviver bem com ele avança quando quase todos estão recuando.

O tema é complexo demais para tratar num post, então esse aqui tem somente um objetivo: fazer você pensar um pouco sobre ele.

Será mesmo que o mundo vai acabar e as pessoas vão deixar de fazer o que faziam até ontem? Será que a irracionalidade de muitos não está abrindo uma janela de oportunidade?

Estamos entrando numa fase em que muitos bons negócios poderão ser iniciados, muitas empresas poderão ser compradas, muita oportunidade.

Não é hora de se recolher com a manada, não siga o senso comum!

É hora de pensar em assumir risco, não risco desmedido, não estou dizendo que é para sair comprando qualquer ação na Bovespa, não é isso. É hora de ver o que pode ser feito para resolver os novos problemas que estão aparecendo com a crise.

As circunstâncias desta crise já a credenciam para ser a maior desde a grande depressão. Pense em quantas histórias já ouvimos sobre os empreendedores que souberam administrar o risco naquela época e o que eles construiram por causa disso. Bem, aqui estamos, com uma oportunidade parecida. O que vamos fazer com ela?

Se quiser um pouco de inspiração com histórias reais de pessoas que assumiram risco veja essa matéria da Forbes e os depoimentos nos slides.





photo credit: Donna Grayson



Reblog this post [with Zemanta]

06/10/2008

Só com humor para suportar a loucura

Mais uma segunda feira insana nos mercados. Nessas horas um pouco de humor ajuda a suportar melhor o pânico que tomou conta do mundo financeiro.

Vejam um bela explicação sobre como funcionam na realidade os bancos de investimento, como foi que eles criaram essa crise e o que eles esperam que seja feito para que não haja um derretimento final.




Do Paul Kedrosky's Infectious Greed

02/10/2008

Buffett, a crise e a babaquice



A crise financeira que está deixando muita gente mais pobre no mundo inteiro começou com o estouro da bolha no mercado imobiliário americano. O que muita gente acreditava ser um problema isolado, já contaminou tudo quanto é mercado e economia pelo globo. Ninguém escapou, nem nós, com nosso Lula e sua carapaça de teflon.

Vários novos palavrões estão surgindo, entre eles os favoritos são: Wall Street, liberalismo, capitalismo, banqueiros e por aí vai. Hoje eu vi uma onda de xingamentos ao plano aprovado pelo senado americano.

Até brasileiro americanóide que adora ficar narrando jogo de baseball dos estados unidos resolveu espernear e soltar algumas inúteis bravatas. Pura incoerência ou apenas ignorância? Assista a entrevista que o Charlie Rose fez com Warren Buffett para ouvir pelo menos uma voz sensata.

O plano do Paulson não é uma simples salvação para banqueiros, o que está sendo salvo (tentativamente diga-se de passagem) é a própria economia americana. Os bancos de investimento já foram condenados, o dinheiro deles já evaporou, finalmente! O que está sendo salvo agora é o emprego de, no mínimo, 3 milhões de cidadãos americanos de classe baixa ou média. Se não restaurar a confiança no sistema a taxa de desemprego explode e a crise vira depressão.

O plano está bem longe de ser perfeito, mas como disse o "oráculo de omaha", é melhor ter só um pouco de certeza de estar certo do que estar totalmente certo de estar errado.

O exemplo que ele dá na entrevista é muito bom: "O atleta exagerou na corrida e caiu no chão infartado. Os paramédicos chegam e fazem o quê? Ficam discutindo entre si e dando bronca no infartado pelos exageros cometidos ou mandam logo o choque no peito para reanimá-lo? Primeiro reanima, depois você pode dar todos os sermões, proibí-lo de exagerar e etc.."

Quem torce para o plano não passar totalmente pelo congresso revela uma boa dose de ignorância econômica. Lamentável. Vale esclarecer que os famosos U$700bi (ou mais) serão usados para comprar, a preços bem depreciados, ativos que poderão ser revendidos depois. Alguns estimam que os U$700bi estarão comprando ativos que valem na verdade algo como U$2,0tri!

Se a depressão acontecer por lá, o efeito aqui será devastador. Tudo o que evoluímos como país desde o plano real pode ser desperdiçado.

Não ache que você é bacana ao ficar bravateando contra o capitalismo e os banqueiros, mesmo que o Lula tenha te ensinado que o povo tem memória curta e ache que a incoerência é um mal perdoável.



Reblog this post [with Zemanta]

01/10/2008

Mudando o mundo


Hoje tive uma oportunidade única de almoçar com um grupo de líderes engajados em transformar o mundo num lugar melhor.

O grupo era bem diverso, mas tinha um componente comum, eram quase todos executivos da Actis, um grande fundo de private equity que investe em mercados emergentes. Estavam lá sócios que estão baseados no Egito, em Cingapura, Londres, na África do Sul e aqui no Brasil.

Eles vieram ao Brasil com a organização da Leader´s Quest, uma entidade dirigida por sócios baseados em Londres, Nova York e Hong Kong. O compromisso deles é ser um catalisador para mudanças positivas no mundo. Fazem isso engajando, desenvolvendo e inspirando líderes de vários setores da sociedade e de diversos países que queiram fazer a diferença.

A Leader´s Quest organiza os grupos e os leva para países emergentes para que eles possam conhecer, experimentar e aprender sobre as economias do futuro.

Fui convidado, junto com os também empreendedores, Fabricio Bloisi da Compera e Fábio Giannini da Exopro, para falar um pouco sobre como é a vida de um empreendedor aqui no Brasil. Contar sobre as experiências, dificuldades e possibilidade que temos por aqui. Fiquei muito bem impressionado com o grupo. Pessoas que deixaram seus países de origem há muito tempo e vivem em outros países emergentes investindo e construindo empresas diferenciadas.

As conversas foram inspiradoras e divertidas. Uma pergunta que me fizeram ficou presa na minha cabeça e ainda estou refletindo sobre ela. Gostaria de dividir a reflexão com mais gente e se possível discutir mais. Quem fez a pergunta foi o Stephen Shaw, membro do conselho consultivo da Actis, "O que você acha que melhor representa o principal diferencial do empreendedor/trabalhador brasileiro?"

A minha resposta foi bem curta, uma palavra: criatividade. Se o americano é o mais pragmático e direto; o chinês, o mais ambicioso e trabalhador; o europeu, o mais culto e educado; nós brasileiros somos os mais criativos.

Falei que nós somos um pouco mais preguiçosos que os gringos, curtimos um pouco mais a vida, mas isso nos faz pensar mais, criar mais. O que você acha? O que nos torna diferenciados em relação aos outros? Como poderíamos usar isso melhor? Como podemos botar essa nossa criatividade para ousar mais no mundo todo e não só aqui?

Atendimento da American Airlines


Normalmente os posts sobre atendimento ao cliente são escritos para expressar algum tipo de indiginação com a empresa. Raramente vemos casos positivos.

Quando um caso bom aparece, quase como uma algulha no palheiro, dá vontade de divulgar. A empresa em questão não é conhecida por um bom atendimento, muito pelo contrário diga-se de passagem. Mas desta vez eles me impactaram positivamente e resolvi contar.

Quem acompanha esse blog sabe que estive nos EUA nas últimas duas semanas. Meu voo de volta foi mais uma daquelas longas jornadas de esperas em aeroportos. O voo atrasou duas horas com relação ao horário previsto de partida. Como já estamos bem acostumados com esse tipo de tratamento, nem pensei em reclamar.

Para minha surpresa, hoje recebi um e-mail do departamento de Customer Relations. Com muita educação eles pedem desculpas pelo atraso no embarque e informam que creditaram minha conta com um bônus de 3.000 milhas. É óbvio que fiquei satisfeito. Nem tanto pela quantidade de milhas, mas pelo reconhecimento do problema que eles causaram e pela tentativa de compensar de alguma forma. Alguém sabe se a Tam ou a GOL fazem algo parecido?

É claro que não fizeram tudo da melhor forma possível. O e-mail deixa claro que eu não devo responder (perderam a oportunidade de receber um elogio e de engajar numa conversa produtiva com um cliente) e também colocam um aviso me desautorizando a divulgar o conteúdo da mensagem (perderam mais uma chance).

De qualquer forma ficou, para mim, uma boa impressão.

"We know how inconvenient the delay of your flight was on September and we apologize!"