30/08/2008

Empreendedorismo se constrói com liberdade



Nas páginas amarelas da Veja dessa semana, o pesquisador da Heritage Foundation, James Roberts, nos passa uma visão sobre como anda a liberdade econômica aqui no Brasil e no resto do mundo.

Por que isso é importante para os empreendedores? Porque o empreendedorismo cresce com liberdade e definha com qualquer tipo de repressão.

Veja abaixo algumas das perguntas da revista, as respostas do pesquisador e os meus comentários.

Pergunta da Veja: "A liberdade econômica é capaz de diminuir a desigualdade social de um país?"

Roberts: "Em primeiro lugar, é preciso definir o que vem a ser igualdade social. Esse conceito pressupõe que todos sejam forçados a viver em casas idênticas, ganhar os mesmos salários, comer as mesmas comidas e acreditar nos mesmos valores? Essa abordagem totalitária já foi tentada na União Soviética e está em pleno vigor em Cuba. Os resultados foram e são desastrosos, para não dizer trágicos."

"As pessoas não nascem iguais. Elas possuem habilidades e talentos próprios. Cada uma deve decidir sozinha o que quer fazer da vida: se prefere tabalhar duro ou levar uma existência mansa e tranquila. O principal papel do governo não é ir contra essa realidade e forçar algo que não existe nem existirá. O bom governante é aquele que oferece oportunidades iguais para todos buscarem a própria felicidade. O capitalismo promove níveis desiguais de prosperidade. Como diria o estadista Winston Churchill, isso é muito melhor do que produzir miséria igual para todos, como faz o socialismo."

Até aqui estamos bem, o PT desistiu dos seus ideais falidos e manteve o Brasil nos eixos nesses últimos anos. O conservadorismo econômico do Lula salvou os empreendedores de uma idade das trevas e deixou que pudéssemos colher os frutos das reformas iniciadas com o Plano Real.

Pergunta da Veja: A pobreza diminui nos países com liberdade econômica?

Roberts: "Ao dar oportunidade para que a população mais pobre prospere, a liberdade econômica é boa para todos. Quando esse conceito é implementado, a elite política fica impossibilitada de usar a máquina estatal para ganhar vantages econômicas, o que sempre ocorre em prejuízo dos mais fracos. Essa situação terrível é o que chamamos de "capitalismo de comparsas". Nos países onde essa prática é institucionalizada, os governantes e seus amigos sobrecarregam a população com burocracia e pesados impostos com o objetivo de massacrar os empreendedores, que veêm como uma ameaça."

"Quando, por outro lado, existe liberdade, o poder econômico não está sujeito a forças políticas e sociais. Pequenas e médias companhias privadas, que são a espinha dorsal de uma economia e produzem a maior parcela dos impostos, têm melhores chances de crescer. A liberdade econômica é uma doutrina revolucionária que desafia o status quo e os que querem usar o poder em proveito próprio. No longo prazo, sua aplicação produz mais prosperidade, mais igualdade de renda, mais emprego e reduz os níveis de pobreza."

O ex-ministro Furlan botou esses conceitos na cabeça do pessoal do governo e desde então a gente pode observar, mesmo que tímidas, algumas tentativas de diminuir a burocracia para abrir e fechar empresas. No campo dos impostos a situação ainda é lastimável.

Pergunta da Veja: É possível medir esses benefícios?

Roberts: "Se dividirmos os países do mundo em cinco grupos, usando o grau de liberdade econômica como parâmetro, vemos que o grupo de países mais livres tem uma renda per capita cinco vezes maior que a do grupo de nações que consideramos repressoras. O desemprego nos países livres é de 6%, enquanto nos economicamente repressores é de 19%. As nações mais livres também possuem menor inflação, que sabidamente corrói o salário dos mais pobres."

Com resultados como esses, medidos e comprovados, fica difícil contra-argumentar com a liberdade, você não acha?

Agora vem o triste choque de realidade para nós, empreendedores brasileiros:

Pergunta da Veja: Como está o Brasil no ranking de liberdade econômica?

Roberts: "Em 2003, o primeiro ano do governo do presidente Lula, o país alcançou sua melhor posição no ranking. Ficou em 58° lugar. No ranking deste ano caiu para a 101°posição. Hoje o Brasil está ao lado de países como Zâmbia, Argélia, Camboja e Burkina Faso. Com isso, o Brasil mudou de categoria. Saiu do que chamamos de "moderadamente livre" para uma economia "majoritariamente não livre".

É uma pena que para comentar ranking de medalhas nas olimpíadas, o brasileiro gasta o verbo e mete a boca, mas para isso se cala.

Quais seriam os exemplos de progresso que podemos ver hoje no mundo?

Segundo Roberts: A Irlanda e a Estônia. Crescem mais de 5% ao ano nos últimos dez anos. "A Irlanda hoje é um grande exportador de software da União Européia. A Estônia tem seguido o mesmo caminho e investe bastante em tecnologia e informática."

Será que alguns dos nossos políticos não poderiam visitar esses países e ver o que eles tem feito para entender se não podemos adaptar alguma coisa para cá? Ou será que eles estão muito ocupados tentando arrumar esquemas para facilitar a vida de seus financiadores de campanhas e amigos?

O que faz o Brasil despencar no ranking segundo o pesquisador é a Corrupção e a falta de liberdade financeira.

Para terminar:

Pergunta da Veja: De maneira geral, a liberdade econômica tem diminuído ou aumentado no mundo?

Roberts: "a liberdade econômica vem aumentando, embora muito lentamente. Quem mais puxa a curva para cima são os países europeus. Dos vinte países mais livres, metade está na Europa. Outro destaque são as antigas colônias inglesas. Hong Kong é o campeão, seguido de Cingapura.

God save the Queen...



photo credits: kliefi

28/08/2008

Como apresentar seu plano de negócios



Na segunda feira, 01/09, haverá a semi-final do desafio GV-Intel. Fui convidado para ser um dos jurados com o objetivo de selecionar os quatro melhores planos entre oito classificados para essa fase. Na outra semi-final outros quatro serão escolhidos para a final do dia02/09 onde dois projetos serão escolhidos como vencedores. A tarefa é trabalhosa, mas extremamente interessante.

Ontem, no final do dia, recebi os planos para ler. Cada plano tem em média 25 páginas. São 198 páginas no total. O menor tem 15 e o maior 50. Não é possível ler um plano de negócios durante o dia. Desisti há alguns anos atrás. Resultado: fiquei acordado até as 2:30am lendo os primeiros planos.

O exercício é ótimo para entender como é a vida do investidor. Ele também tem uma enorme dificuldade de ler planos de negócios durante um dia de trabalho. Obrigado a ter dar um feedback? Não, e as vezes, sequer uma resposta. Pense nisso na hora de preparar o material que você enviará.

O que está escrito na página inicial do teu plano? Pense em quem lerá aquilo. Uma frase forte, bem objetiva, que capture a curiosidade do investidor. Aquela página branca e morta do word já é chata demais, se não tiver nenhum conteúdo diferenciado...

O sumário executivo é a tua grande chance. Ele tem que ser excelente. Uma página, no máximo duas, despertando o interesse pela qualidade do conteúdo com um português impecável. Se o sumário for fraco, duas coisas podem acontecer. Uma (90%) : o investidor larga o plano e parte para o próximo; Duas (10%): ele começa a procurar os defeitos para justificar um "não" para você.

De que adiantaram as 50 páginas se as duas primeiras acabaram com a tua chance?

Por outro lado, se o sumário é forte, ele terá uma tolerância muito maior com problemas no resto do plano. Se o empreendedor foi capaz de produzir aquele impacto incical, ele deve ser capaz de arrumar o resto do plano com um pouco mais de tempo. A porta foi aberta.

A impressão inicial dirige (inconscientemente) a tolerância e a vontade do investidor. Já leu o "blink" do Gladwell?

Hoje a noite eu tenho outro encontro marcado com a papelada. Quem sabe um novo grande projeto não está alí no meio?

24/08/2008

Aprendendo empreendedorismo online


Mais um produto sensacional da Apple. O Itunes U é um diretório dentro da Itunes Store que agrega uma enorme quantidade de conteúdo educacional. Você pode procurar por assuntos em diversas categorias, ou procurar dentro de uma universidade específica. Este vídeo descreve rapidamente como usar melhor o serviço.

Como o assunto aqui é empreendedorismo, fiz uma busca por "entrepreneurship" dentro da área específica da universidade de Stanford. O resultado foi uma lista de 18 palestras que você pode baixar gratuitamente como podcasts para o seu Itunes. Escolhi e baixei cinco que achei muito boas.

- "Choosing the entrepreneurial path" do Reid Hoffman, fundador do LinkedIn.
- "5 must- haves of an entrepreneurial career" do Gregory Waldorf, CEO da eHarmony.
- "Lessons learned on entrepreneurship and investing" do Michael Goldberg, investidor da Mohr Davidow Ventures
- "Entrepreneurial leadership qualities" da Janice Frasier, CEO da Adaptive Path.
- "Success factors of High Tech entrepreneurship" do Tom Bryers, professor de empreendedorismo de Stanford.

É difícil encontrar conteúdo gratuito de tamanha qualidade e tão valioso para empreendedores ou aspirantes a empreendedores.

Se alguém tiver dificuldades para achar essas palestras no Itunes U, ou se achar outras para indicar, use os comentários abaixo.


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22/08/2008

Alguma ordem no caos


O excesso de informação está denegrindo a qualidade da nossa leitura. São diversos meios, inúmeros blogs e agregadores que geram conteúdo sem parar.

A tarefa de separar aquilo que vale a pena ler com toda atenção daquilo que só vale uma passada de olho é cada vez mais complicada. A filtragem consome mais tempo do que a leitura.

O risco é ficarmos ocupados com um grande volume de leitura rasa e muito pouco de leitura válida, que gera reflexão e novas idéias.

Para driblar esse risco tenho procurado separar alguns artigos mais interessantes para imprimir na sexta-feira e ler durante o final de semana. Ler no computador durante a semana é quase impossível, qualquer interrupção (e não são poucas) te roubam a concentração e a leitura perde o valor.

Abaixo estão os links para os conteúdos que separei para esse final de semana. O último é um vídeo.

http://www.forbes.com/2008/08/20/google-yahoo-microsoft-ent-tech-cx_ml_0820wheregoweb.html?feed=rss_popstories

http://www.readwriteweb.com/archives/10_highly_promising_web_platforms.php

http://www.edge.org/documents/archive/edge255.html#gin

http://www.fastcompany.tv/video/how-analytics-are-changing-business

Você tem algum outro método para lidar com esse problema? Compartilhe também.



crédito da photo: Will Lion

21/08/2008

Beezzer aberto


Hoje abrimos o Beezzer para começar a fase Beta. Isso significa que todos já podem acessar o site.

A idéia agora não é fazer nenhum estardalhaço, investimento em mídia, ou grandes divulgações. O foco é na experiência do usuário e no crescimento orgânico.

Não adianta nada inundar o Beezzer de usuários agora e não gerar nenhum valor na relação entre os consumidores e seus produtos e serviços. Queremos, com o Beezzer, ajudar a mudar a forma como os consumidores "conversam" com as empresas. Não faremos isso com confete e oba-oba, mas com aprendizado constante e adaptação.

A colaboração em torno do projeto tem sido muito gratificante. Equipe e colaboradores externos tem interagido diariamente para que possamos continuar construindo juntos algo que seja transformador desse mercado e fonte de valor para todos.

Para quem quiser continuar contribuindo ou que queira começar a participar dessa construção, eu convido para participar de nosso grupo de discussão aqui.

O grupo está aberto e nele você pode ter acesso direto à equipe e trocar idéias com os outros usuários.

O projeto está empolgante, seja bem vindo, já começamos o mudar o mundo.

20/08/2008

A arte do começo

O Guy Kawasaki é bem conhecido por seu livro "A arte do começo" e por sua trajetória como evangelista da Apple, investidor, e empreendedor.

As dicas dele são valiosas. Se você ainda não leu o livro e se você tem alguma dificuldade com o inglês, aproveite o trabalho feito pelo Camilo Telles e pelo Jacques que traduziram a palestra e colocaram as legendas.



Obrigado ao Jacques Chicourel, empreendedor de Salvador que me enviou o vídeo com as legendas em português.

17/08/2008

Aproximando investidores de Universidades e Incubadoras

Este será o tema do próximo Fórum do GVCepe.

"O que o investidor procura. O que a academia e as incubadoras oferecem. Quais as principais barreiras e como facilitar a aproximação entre esses dois mundos. Quais processos cada uma das partes envolvidas adota para que as negociações aconteçam."

O time de debatedores é de primeira. O Paulo Lemos da Unicamp entende muito do assunto e está fazendo um excelente trabalho nesse campo. O Fabricio é um amigo e empreendedor de muito sucesso. Ele está liderando a Compera para um novo patamar e tem que ser ouvido por qualquer um que esteja interessado no mercado de "Mobile". O Robert Binder, do Criatec, é um investidor de muita experiência e está a procura de grandes inovações.

Pretendo estar lá para ouví-los. Se o tema é de seu interesse, aproveite e faça o mesmo.

Data: 25/08 às 17:00. Local: Salão Nobre da FGV - R. Itapeva 432
Inscreva-se aqui.

14/08/2008

Oportunidade para quem está começando

A equipe da Direct Performance, empresa do nosso grupo, está construindo um negócio totalmente acima da média. O Tiago está liderando um time sensacional. Como a empresa está crescendo muito, ele precisa formar gente nova. A oportunidade é excelente. Quer aproveitar? Veja abaixo.


A Direct Performance é uma empresa nova, ligada ao grupo Direct Talk que já atua na Internet há nove anos. Nosso foco é gerar resultados para empresas que tenham atuação na Internet, compartilhando as metas de nossos clientes. Atuamos com técnicas avançadas para gerenciamento de campanhas on-line e geração de resultados, incluindo testes multivariáveis, SEO (Search Engine Optimization), SEM (Search Engine Marketing), automated bid management, web analytics, e-commerce goals e etc.

Estamos em busca de profissionais que tenham como principal motivação a paixão por aprender, que queiram estar atualizados e a frente do mercado, gostem de desafios e queiram crescer rapidamente em uma empresa jovem e em rápida expansão.

Estágio em Business Intelligence

Objetivo do programa

O objetivo do programa de estágio é encontrar pessoas dinâmicas, pró-ativas e com facilidade para trabalhar em equipe para serem os futuros líderes de uma empresa jovem que está em plena expansão. Procuramos pessoas antenadas com a revolução digital que ocorre ao redor delas e queiram fazer parte ativa desse processo. Será um diferencial serem pessoas com facilidade de raciocínio lógico e estruturado além de facilidade com números.

Estrutura

O programa de estágio tem a duração de um ano e treina os candidatos para lidar com diversas ferramentas do mercado como Webtrends, Google Analytics, Google Adwords, Ibope Net Ratings, Microsoft Atlas, Predicta, ADServers e SEO. Esses profissionais serão acompanhados de perto pelos profissionais mais experientes da empresa e terão o tempo todo um antigo participante do programa para auxiliá-los. Serão feitos treinamentos mensais dentro da empresa, além de treinamentos externos com profissionais renomados do mercado.

Todos os aprovados no programa terão chances de efetivação e de participar ativamente da construção da empresa. Esses profissionais terão visão estratégica do mercado, sabendo consolidar grande número de informações, gerando inteligência para o negócio digital de grandes clientes. Além disso, participarão de projetos de melhorias buscando novas soluções e trazendo inovações para a empresa.


Mais detalhes e contato no site da Cia de Talentos.

09/08/2008

Humano, demasiado humano

O Shira e o Diego começaram a discussão sobre gestão de pessoas, e como o tema é muito relevante achei bem entrar nela também.

Não sou contra as salas de jogos ou as regalias com as quais o Google ficou famoso por promover, mas entendo, como o Shira, que elas são mera perfumaria. Se a equipe gosta, faz bom uso e se diverte nos momentos de relaxar, ótimo, mas não venham dizer que isso é uma boa gestão de pessoas.

Por que nos reunimos em "empresas"? Porque em conjunto conseguimos criar valor mais facilmente do que sozinhos. Se você entende isso bem, consegue ter mais de um ativo precioso para a tua vida: tempo. Se você não divide seu esforço com um grupo e tenta gerar valor sozinho, fica sem tempo para família, amigos, outras diversões, etc..

O problema é que muita gente não reflete sobre isso o suficiente. Entendem que o trabalho é mera obrigação para ganhar um sustento, pensamento medíocre. Nesses casos você precisa ficar agradando o sujeito com um monte de mimos no trabalho, aquilo é um fardo, então recompense-o com algumas coisinhas legais.

Se, por outro lado, o time envolvido com um projeto empresarial, faz aquilo porque entende o valor que será gerado para cada um e para o todo, a história é outra. O trabalho deixa de ser fardo, tem propósito, energiza. Se o pessoal gosta de, ao final de um belo dia de trabalho, jogar uma partida de tênis no Wii para tirar uma onda, ótimo.

Outro problema crônico para os que "praticam" a gestão de pessoas é a preguiça. Como é bem difícil articular e comunicar um projeto empresarial, a saída mais fácil é atrair e "reter" pessoas com mimos e regalias. Perigoso.

Acho que todos erramos, cedo ou tarde, com a gestão de pessoas. O ser humano é complexo demais para ser gerido com programas ou modelos sem mudança constante. Resta saber o que o seu projeto empresarial necessita. Se for de "recursos humanos" sem conexão com o propósito do projeto, capriche nos mimos para tentar driblar a rotatividade. Se a necessidade for de gente com pensamento crítico, que trabalha porque gosta, pode deixar a perfumaria para o segundo plano, concentre energia no sucesso do projeto.

05/08/2008

Começar mesmo sem a idéia

Uma das histórias que mais me chamaram a atenção no livro Founders at Work foi a do Arthur van Hoff, fundador da Marimba.

Gostei porque ele e seus sócios começaram da mesma forma que os meus sócios e eu, sem uma idéia! Acho importante lembrar disso porque a gente escuta muita gente falando que para empreender você precisa de uma idéia genial. Bobagem.

É claro que uma boa idéia ajuda bastante, mas não é imprescindível não. A história do Arthur é que em 1996 ele trabalhava na Sun na equipe de desenvolvimento do Java, assim como seus três sócios fundadores. Os quatro largaram a Sun, juntaram 25mil cada um e começaram a empresa sem saber exatamente o que ela seria.

O importante é que eles confiavam na capacidade do time. Alugaram um pequeno escritório (o nosso primeiro tinha 40m2 lá em alphaville), compraram o básico para trabalhar e ninguém tirava nada no final do mês (essa fase é a mais complicada de lembrar).

A visão dele sobre as idéias é também bem parecida. "Ao longo dos anos, eu aprendi que a primeira idéia que você tem é irrelevante. É só um catalizador para você começar. Depois você percebe o que estava errado com ela e aí vem as fases de negação, pânico e arrependimento. Aí finalmente você acaba tendo uma idéia melhor e a segunda idéia é sempre a mais importante".

Antes de criticar, lembre que em 3 anos a empresa dele cresceu para 300 funcionários e fez um IPO de sucesso.

Vejam a posição dele sobre o business plan: "O plano é a ferramenta que você usa para vender sua idéia para os investidores. Eles olham para o plano e dizem "Não tem erros de português e a matemática bate. Mas a gente gosta das pessoas, então vamos investir".

"Não há uma fórmula para identificar um plano bom versus um plano ruim. Assim não é justo perguntar "Você executou de acordo com o plano?" porque todo plano é só um baita chute, certo? É só mesmo uma ferramenta."

Por último ele ainda manda essa: "Você não deve se ater muito aos pequenos detalhes, porque você não pode prever o futuro mesmo. Você ira passar por tantas mudanças, que não vale a pena analisar demais o primeiro plano. O primeiro plano de negócios está lá para que você possa usar o Microsoft Word."

Essa visão toda é muito realista, pode parecer um pouco maluca, mas não é. Na prática é assim mesmo. Em nenhum momento ele diz, ou eu penso, que não é importante escrever um bom plano e nem que boas idéias não são importantes para o sucesso do empreendedor. O importante é perceber que o mais importante é o time, e que os planos são ferramentas, meios, nunca fins.



crédito foto: Cayusa

03/08/2008

A matemática do Venture Capital

Quem acompanha esse blog já deve ter percebido que eu cito recorrentemente o Fred Wilson quando escrevo sobre Venture Capital. O motivo disso é a transparência que ele tem com suas idéias.

Ontem ele publicou um artigo revelando o modelo econômico no qual ele se baseou para lançar o seu próprio fundo. Por que isso interessa aos empreendedores?

Porque é uma boa forma de você entender a cabeça de seu possível sócio investidor. Os números do modelo revelam uma série de informações importantes. Primeiro, qual é o retorno absoluto que o fundo tem que obter nos investimentos feitos para que o quotista que aportou o capital tenha o retorno esperado.

Nesse modelo o fundo precisa receber de volta 4x o capital investido, ao longo de seus 10 anos de vida. Com esse retorno o quotista teria um ganho de 2,56x o seu capital (ex: quem colocou $10 milhões recebe de volta $25,6 milhões).

Por gerir o fundo de $100 milhões, os gestores recebem, também ao longo desses 10 anos, $20 milhões para "custear" a gestão do fundo independentemente do desempenho obtido. Se o desempenho for de acordo com a projeção do moldelo, eles recebem mais $44 milhões como sua parte (20%) dos lucros obtidos. Nada mal! Por isso tanta gente gostaria de poder ser um venture capitalist.

Entendido quanto cada um (quotista do fundo e gestor) está esperando ganhar, resta entender o famoso "como" obter esse retorno.

Ele também deixa isso bem claro e explica que a expectativa é realizar 15 investimentos ao longo da vida do fundo. Desses 15, 5 serão um fracasso e o fundo perderá todo o capital investido, em outros 5 o fundo apenas recuperará o dinheiro aportado (com um ganho de módicos 25%). Os 5 restantes são os responsáveis pela bonança final, devem render em média 6,5x o capital investido (ex: o investidor coloca $1 milhão na empresa e quando vender recebe $6,5 milhões).

Outro ponto fundamental da estratégia dele é a divisão dos investimentos em categorias e etapas. São três categorias (conceito, teste e receitas). Em Startups que possuem somente o conceito do novo negócio (só um plano de negócios) ele só investe $1 milhão. Nas que já estão numa fase um pouco mais adiantada e já estão efetivamente testando o negócio ele investe $2,5 milhões. Nas empresas que já estão gerando receitas ele investe $3,5 milhões.

A chave da estratégia e descobrir rápido quando o negócio é ruim, quando o conceito não vingou ou o teste falhou. Assim quando investir errado, ele perde menos (de $1,0 milhão a $3,5milhões). Quando acerta ele reforça o investimento com uma segunda rodada de $2,5 a $3,5 milhões. Com isso, quando o negócio é bom, ele ganha encima de um investimento maior (mais de $5,0 milhões considerando mais de uma rodada).

É o inverso do "come que nem pinto e caga que nem pato" que tantos investidores insistem em fazer na Bolsa.

Para o empreendedor que pretende receber investimento de venture capital, ou para o que já recebeu, é fundamental entender a dinâmica desses números.

No artigo ele ainda revela que os números reais acabam sendo um pouco diferentes do modelo desenhado, mas nada que mude o racional estratégico do fundo.

Se você entendeu toda a numerologia, já sabe agora que se o teu plano de negócios não demonstra uma chance clara para o investidor conseguir mais de 6x o capital investido, não adianta perder seu tempo procurando venture capital. Se, por outro lado, o plano tem essa possibilidade, pense bem em como tentar provar que o seu não estará entre os 33% que fracassam.

Muito difícil? Pois é. Se fosse fácil, qualquer um faria.

02/08/2008

Aprendendo sob demanda

Aprender sob demanda, ser capaz de extrair conhecimento da web e das redes sociais para fazer algo acontecer, esse é o novo paradigma do aprendizado nas organizações e na vida pessoal também.

Jogue fora sua coleção de "Você S/A", cancele a assinatura e entenda o que o John Seely Brown está dizendo neste video.