31/07/2008

Google querendo virar investidor

A notícia de hoje nos blogs de web e venture capital é a indicação de que o Google pretende criar um braço próprio de venture capital.
A matéria do WSJ que deu início à discussão explica um pouco as desvantagens das iniciativas de venture capital corporativo.

O lado do Google é claro. Como eles já compram uma série de startups tecnológicas que foram investidas por outros VCs, (último exemplo aqui) faz sentido pensar em atuar diretamente como investidor ao invés de pagar o prêmio para quem investiu primeiro.

O problema é que a atividade de venture capital combina muito mais com fundos privados independentes do que com braços corporativos. O Fred Wilson escreveu um post explicando a questão da importância do fundo ser administrado por gestores talentosos e como esses caras dificilmente ficam debaixo de um estrutura corporativa.

Ele defende que existe espaço para os VCs corporativos, mas aponta que o desempenho deles é normalmente inferior aos demais.

Para investir em startups é muito importante conhecer o mercado, ter passado pelo processo e ter liberdade para arriscar (muito). Será que os fundos corporativos conseguem ser assim? Acho que só uma ou outra exceção conseguem.

Aqui no Brasil, a Intel vem tendo um papel destacado com seu braço de venture capital, fez bons investimentos e participa ativamente do mercado. Alguém conhece outros VCs corporativos que atuam aqui no Brasil?

25/07/2008

Empreendedorismo inovador em Salvador


Conheci empreendedores e startups de tecnologia de excelente nível ontem no Encontro de Empreendedorismo Inovador em Salvador.

O evento, durante o dia, foi mais focado na gestão dos parques tecnológicos, nas incubadoras, universidades e instituições públicas que apoiam a inovação e o empreendedorismo no nordeste.

O Paulo Lemos da Inova/Unicamp fez duas ótimas apresentações sobre o papel da universidade e derrubou alguns mitos do empreendedorismo que atrapalham um pouco a cabeça de quem está começando.

Após o evento, tive o prazer de jantar com um grupo de empreendedores de primeiro nível. O Camilo Telles (a pessoa mais conectada do meio em Salvador), e o Jacques Chicourel, empreendedor que toca a startup Viamobile, e que eu já conhecia pela sua participação vencedora nos desafios GV-Intel me apresentaram para o Rafael Costa que desenvolve a Jusbrasil e o Gustavo Perez que fundou a MTM tecnologia.

Se você tem alguma conexão com o meio jurídico dá um olhada na Jusbrasil e se o teu negócio está ligado à web mobile, veja as aplicações que o Gustavo está desenvolvendo em parceira com a RIM (Blackberry), principalmente na área da saúde (médicos e hospitais).

Pela qualidade dos empreendedores, acho que é só uma questão de tempo para esses negócios decolarem.

Aproveito para agradecer o convite do pessoal do evento pela excelente oportunidade e por toda a hospitalidade com que me trataram em Salvador.



crédito foto: One August Sunday

22/07/2008

Empreendendo com confiança, orgulho e camaradagem


Meus sócios e eu sempre quisémos construir empresas diferenciadas. Empresas que possam inovar, gerar riqueza e promover o desenvolvimento de todos os envolvidos.

Um dos fatores importantes para tudo isso acontecer é o ambiente de trabalho. Um ambiente onde reina a confiança, orgulho e camaradagem.

A Computer World divulgou hoje o resultado da pesquisa feita em conjunto com o instituto Great Place to Work e a nossa empresa Direct Talk foi eleita a 13º melhor empresa de tecnologia para se trabalhar.

Não deu para ficar na frente do Google e da Microsoft, mas pesos pesados muito admirados como Dell, Oracle, Sun, Totvs, Terra e Locaweb ficaram para trás. Parabéns DT!

Tem um trio de pessoas que merece um reconhecimento especial por isso: Giovanni, Diego e Thelma. Fica aqui o meu parabéns pelo trabalho de vocês.

Zemanta Pixie

20/07/2008

Se o problema é a falta de idéias...

photo of Paul GrahamImage via WikipediaO Paul Graham da YCombinator publicou um novo artigo com uma lista das idéias de startups nas quais ele gostaria de investir.

Se você é empreendedor no setor de tecnologia & internet e está precisando de algumas idéias para a sua próxima investida na resolução de problemas, vale dar uma olhada. Se já estiver trabalhando encima de alguma delas, está aí mais um incentivo para continuar firme.
Nós já estamos, pelo foco de nossos negócios atuais, mergulhados nas de número 6, 19 e 24.

Algumas das idéias da lista dele já foram criticadas. Segundo a crítica, essas idéias são perdedoras porque competem com gente que não deve deixar espaço para novos entrantes. Faz sentido, mas eu não descartaria totalmente.

Duas idéias me soam interessantes demais para não refletir sobre elas (a 12 e a 28). Uma forma melhor de fazer propaganda online e resolver o problema da sobrecarga de e-mails são dois desafios que, se resolvidos, obviamente renderão grandes frutos. Algum outro candidato a quebrar a cabeça com eles?

Zemanta Pixie

19/07/2008

Lições do Fracasso


Os empreendedores brasileiros sabem bem como a nossa cultura do "se dar bem" não estimula os jovens a tentar empreender. Se fracassarem (todo empreendedor deve saber que irá fracassar em algum momento, é parte do processo) serão taxados de perdedores. Poucos sabem que esses fracassos só contribuem para a experiência e aprendizado do empreendedor.

Enquanto em vários países com amplo destaque empreendedor os fracassos são vistos como inerentes e parte importante da trajetória, aqui em terras de malandros, o fracasso é mal visto, sinal de fraqueza. Quanta estupidez!

O sucesso imediato é perigoso, engana, não ensina, mas todos o querem. Patético.

Quer um exemplo de como deveríamos encarar as tentativas fracassadas? O investidor Fred Wilson dá a dica. Leia esse post do Roger Ehrenberg. Não pare no final do texto dele, leia os comentários que escreveram para ele. É alí que um exemplo de cultura empreendedora construtiva se mostra.

crédito foto: Behrooz Nobakht

Fundadores de startups

Qualquer um que já tenha fundado ou pretende fundar uma empresa startup deveria ler este livro da Jessica Livingston. Ela é sócia do Paul Graham, da YCombinator.

Para quem já saltou no abismo, é uma leitura sensacional. Reconforta ver que gente tão competente e famosa, que construiu coisas tão diferenciadas, já passou pelas mesmas dificuldades, cometeu os mesmos erros que você.

Para quem ainda não tentou, é uma oportunidade única de aprender um pouco mais antes, e evitar algumas derrapadas tão comuns. As entrevistas são bem abertas e os fundadores revelam muito dos bastidores da criação de suas empresas. Apple, Lotus, Hotmail, Yahoo!, Tivo, Flickr, Excite, 37Signals, e Six Apart são algumas delas.

Nomes como Steve Wosniak, Ray Ozzie, Evan Williams, Paul Buchheit, e Craig Newmark falam sobre suas experiências sem esconder as burradas, os problemas que poucos ficam sabendo e como superaram tudo isso.

O livro é relativamente grande e a letra é pequena, mas vale cada centímetro. Muito do que tenho discutido com meus sócios, com o pessoal do GVCepe e com outros empreendedores no mercado está descrito com detalhes nas entrevistas.

Pretendo relatar em novos posts alguns trechos que achar mais importantes e começo já pela riqueza da introdução do livro:

"Determinação é a qualidade mais importante para um fundador de uma startup. A perseverança é importante porque, numa startup, nada acontece de acordo com o plano. Fundadores vivem cada dia com um sentimento de incerteza, isolamento, e as vezes falta de progresso. Além disso, as startups, por sua natureza, estão fazendo coisas novas- e quando você faz o novo, as pessoas muitas vezes te rejeitam."

"Além de perseverantes, os fundadores precisam ser adaptáveis. Não só porque é preciso um certo nível de flexibilidade mental para entender o que o mercado quer, mas porque o plano provavelmente terá que mudar. As pessoas acham que as startups crescem a partir de alguma idéia inicial brilhante como uma planta de uma semente. Mas quase todos os fundadores mudaram suas idéias durante seu desenvolvimento"

"Começar uma startup é um processo de tentativa e erro. O que guia os fundadores através desse processo é sua simpatia pelos usuários de seus produtos e serviços."

15/07/2008

A avó de todos os mitos em inovação

Novo embate de idéias com o Clemente Nóbrega sobre inovação. Ele acredita que todas as pessoas são médias, ninguém deve achar que pode inovar. Inovação, segundo ele, é fruto de uma boa gestão e de uma estratégia sólida.

Eu fico intrigado com ele. Vejo que o nosso gosto bibliográfico é muito parecido. Nomes com Taleb, Christensen, Pinker e Ronsenzweig estão entre os meus favoritos e dele também. Mesmo assim a nossa visão sobre inovação parece separada por visões distintas sobre os indivíduos.

Respeito muito ele, apesar da teimosia e das tentativas de encerrar o debate com afirmações axiomáticas ele até que valoriza o debate.

Pensei muito sobre isso nesses últimos dias enquanto trocava comentários no blog dele e acho que a diferença está no tipo de empresa que ele conhece bem e as que eu tenho maior contato. O mundo do Clemente é o mundo corporativo, das grandes empresas, milhares de funcionários, manuais de conduta e a tirania dos resultados trimestrais. Empreendedorismo aqui é conhecido como "intraempreendedorismo".

O meu mundo tem sido, nos últimos anos, o das startups, da web, da busca por criar valor a partir do nada e por que não também admitir, da tirania do valuation.

O problema é que inovação no mundo dele é bem diferente da inovação que os empreendedores conhecem. É a "melhoria incremental" travestida de inovação. Nas corporações a gestão tem que reinar absoluta, sem um modelo de gestão forte os resultados desaparecem, o elefante sucumbe e morre. Aqui a variância é palavra proibida. O medo é forte, impera. Ciência de gestão faz todo sentido nesse mundo.

Nas startups o cenário é outro. Não faz sentido falar em gestão do modelo de negócios quando o modelo ainda nem foi encontrado! Aqui não pode ter medo, tem que ter muita variância, criatividade, pensar "fora da caixa".

Nas grandes corporações qualquer indivíduo é um mero número, compõe a média. Dá pra entender a visão do Clemente nesse contexto, mas nas startups um indivíduo melhor qualificado, com experiência específica faz toda a diferença do mundo. Nos times de empreendedores que fundam novas empresas do zero, cada cabeça puxa para cima ou para baixo, é impossível pensar em média numa startup.

O embate de idéias acontece quando uma startup deixa de ser startup, cresce pra burro e vira uma corporação. Quem é do mundo corporativo vai enxergar a estratégia e a gestão como sendo as responsáveis pelo sucesso. Quem é empreendedor vai enxergar diferente, vai lembrar das idéias malucas, dos lances de sorte, das decisões tomadas com a intuição. Tudo isso será esquecido na fase corporativa e é por isso que tantos fundadores deixam a empresa nessa transição.

Sou suspeito para falar, mas acho que o mundo precisa muito mais do empreendedorismo do que dos cientistas da gestão, mas vou deixar isso para um outro dia...

update: O Clemente publicou um novo post comentando este e deixa claro que a visão dele é um pouco diferente do que coloquei aqui. Ao final parece que convergimos mais uma vez para uma visão construtiva sobre empreendedores inovadores (sim, eles existem e podem ter sucesso!) e que a inovação pode acontecer em qualquer empresa gerada por qualquer um, desde que a gestão seja boa. Obrigado Clemente, pela disposição em debater o tema.


crédito foto: Ed from Ohio

10/07/2008

Centralizar x Descentralizar

Outro livro muito interessante que trata da tendência atual de modelos descentralizados derrubando antigos castelos centralizados.

O título-analogia é bem criativo. A aranha representa o modelo tradicional, centralizado. Se você corta a cabeça dela fora ela morre. A estrela do mar representa o novo modelo, descentralizado. Se você corta uma perna dela fora, não só ela se regenera, como a perna cortada vira uma nova estrela do mar.

Redes P2P desde o Napster, passando pelo Kazaa, até o Emule x gravadoras tradicionais, Skype x Telecoms, Governo americano x Al Quaeda, são alguns exemplos estudados pelos dois empreendedores autores do livro.

A leitura é fácil e até mesmo um pouco superficial, mas vale a pena. Gostei muito da ênfase dada à questão da liderança nos tempos atuais. Catalisador x CEO é uma discussão válida para qualquer um em posição de liderança hoje.

O tema fundamental que me levou ao livro, mas que não chega a ser explorado com a profundidade que merecia, é a procura pelo modelo de negócios ideal. Qual o ponto ótimo entre a total descentralização e o modelo tradicional centralizado de comando e controle? Para o nosso novo projeto, o Beezzer, isso é bem relevante. Eles destacam o caso do Ebay que parecia ter encontrado o seu "sweet spot", mas que agora já está sendo questionado novamente.

O Beezzer surgiu como uma tentativa nossa de testar o reinado do modelo centralizado do call-center. Vamos descentralizar, criar círculos de consumidores que irão gerar mais valor entre si com suas marcas preferidas sem terem que lidar com o stress do SAC. Quão descentralizado tem que ser? Nem tanto quanto os milhares de foruns espalhados pela web, mas muito mais do que um 0800 com a fila indiana sendo massacrada pela URA.

07/07/2008

Em defesa da liberdade na rede


O assunto interessa a todos aqueles que se preocupam com o uso da internet no Brasil. O problema é que quem quer legislar sobre o assunto parece não entender nada do negócio. A solução é fazer alguma coisa para evitar que façam besteira.

Como contribuir para evitar a estupidez?
Assinando a petição online. É só botar o seu nome, e-mail e cidade.

Se você usa a internet e gostaria de manter a sua privacidade e a sua liberdade, faça isso agora.

Para saber exatamente o que estão propondo veja o post do Sérgio Amadeu.

Se esse parágrafo abaixo escrito por ele já for o suficiente, vá direto para a petição online.

"O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos."

06/07/2008

Excelente leitura sobre mídia social

Acabei de reler hoje o "Citizen Marketers" escrito pela Jackie Huba e pelo Ben McConnell, eles escrevem no ótimo blog Church of the Customer.

Na primeira leitura o Beezzer ainda estava no papel e agora com a versão alpha já no ar quis rever alguns conceitos deles.

Quem está bem envolvido com mídia social e ainda não leu, não se surpreenderá com nada muito novo, mas quem ainda está boiando no assunto tem uma ótima oportunidade de entender o que está acontecendo com uma leitura fácil, agradável e cheia de histórias reais que ajudam a compreender o contexto atual.

O link do livro acima aponta para a edição em português vendida pela livraria cultura, mas eu li uma mais antiga em inglês, por isso as citações abaixo saíram em inglês mesmo.

"A guiding principle of citizen-created content: people are the antidote to the manufactured reality injected into culture everyday. People are the message."

"When messages are influential, it is because they are authentic... That's the value and promise of word of mouth; authenticity contributes to authority."

"For citizen marketers, their work and membership in marketing communities is part of their lives. It's their hobby, It's their politeia. It's citizenship in the age of marketing as culture."

E apontando novamente para o Beezzer que tal essa:

"Small but determined groups of citizen marketers will fill the natural voids of the support centers for many well-loved products. How companies tacitly accept or officially acknowledge peer-based support will affect word of mouth."

O McLuhan é citado diversas vezes no livro e as suas famosas frases do "Understanding Media: The extensions of Man" não podiam ser melhores:

"We become what we behold. We shape our tools and then our tools shape us."

Acho que esse é o primeiro post que eu deixei bastante coisa no inglês original, se acharem isso ruim me mandem um feedback, levarei isso em consideração nas próximas vezes.

03/07/2008

Quando um sócio parte

De repente o caminho bifurca e nem todos escolhem o mesmo lado. O "plano" era seguir todos juntos, na felicidade ou na tristeza, mas o real é assim mesmo, e a gente só aprende fazendo, errando, tentando.

Os problemas aparecem para serem superados, as vezes é mais fácil e muitas vezes é bem difícil. Depois que o tempo facilita a reflexão, o aprendizado pode ser dividido.

Um sócio resolveu tomar outro rumo. Para uns ele "abandonou o barco", para outros "a proposta era inegável" Como fica a sociedade? O sócio que sai pode ficar com suas quotas/ações? Tem que vender para quem fica? O que é mais justo?

Essa situação só vira problema se a regra não for combinada antes. Se houver um acordo no início, na hora da partida é só cumprir a regra. Mas quem combina antes? Quase ninguém.

Sem a regra pré-determinada cada um tem direito às suas visões e opiniões sobre o que é justo ou correto na hora da partida. Se as visões forem divergentes é muito difícil convergir a negociação, isso gera stress e insatisfação para todos.

Para conseguir resolver cada um tem que ceder um pouco e só com muita paciência (haja!) se chega a um denominador comum. Provavelmente todas as partes vão achar que cederam mais que as outras e o processo todo desgasta relacionamentos e amizades.

Dá pra recuperar, sem dúvida, mas não é melhor evitar?

Eu e meus sócios encontramos um modelo que procura evitar quaisquer desentendimentos se alguém quiser partir no meio do caminho (todo mundo tem esse direito, diga-se de passagem). Já usamos nas empresas mais novas. Nosso exemplo não é aplicável para muita gente, mas o importante aqui é só mostrar que é possível combinar antes. Cada grupo tem que pensar nas suas circunstâncias específicas e adaptar.

Nosso modelo funciona quando existe um sócio majoritário que "banca" o início do negócio e outros minoritários que entram com o seu trabalho e a divisão dos riscos.

O conceito é simples, no começo os sócios minoritários não são necessariamente donos de suas ações (para empresas S.A. ou quotas para as Ltdas). As suas ações se tornam efetivamente suas na medida que o tempo passa e eles continuam ativos na sociedade.

Se um minoritário sai antes de completar o primeiro ano de sociedade (porque recebeu uma proposta melhor no mercado ou por ter desistido de arriscar) ele simplesmente cede o direito para os outros sócios de comprarem de volta todas as suas ações pelo valor original de subscrição.

Se sair depois de um ano completo, mas antes de completar o segundo, ele cede o direito sobre metade da sua participação sem ganho e a outra metade com possibilidade de ganho. Entre o segundo e terceiro ano fica 25% e 75%. É possível flexibilizar entre o terceiro e quarto ano, ou já deixa 100% válidos ou segura 10% para só depois do quarto ano completo.

Como funciona a venda sobre a parte que ele tem direito de ganho? Essa regra do valor tem que ser combinada antes porque muita gente confunde valor patrimonial (ou contábil) com valor econômico (ou valor de mercado).

Como é impossível prever quanto a empresa estará valendo no momento que alguém resolver sair, o que achamos correto é fixar um múltiplo sobre as receitas ou sobre os resultados que seja válido para qualquer data. A escolha do múltiplo vai depender do setor e tipo de empresa (ex: 5 x ebitda).

Por que o sócio que sai deve ser obrigado a vender a parte que já tem direito pelo tempo de sociedade? Porque os sócios que ficam estarão provavelmente desfalcados e precisarão atrair um novo membro para a equipe. Além disso, não é legal terem que ficar consultando alguém que saiu do negócio para tomar decisões sobre a empresa. As vezes é até difícil encontrar e marcar reuniões com quem já partiu.

Outra coisa importante de combinar antes é o prazo para pagar o valor que o sócio que sai deve receber pela venda da sua parte. Para empresas novas ou pequenas esse prazo deve ser dilatado e os valores corrigidos para não prejudicar o vendedor.

Esses conceitos descritos aqui são também muito utilizados como políticas de stock options para pessoas chaves na empresa. O termo utilizado é o "vesting".

Fundos de venture capital também aplicam esses conceitos para os empreendedores nos quais eles investem.

Acredito que seja um conjunto de regras justo e bem equilibrado para todos. Funciona.

Para quem ficou curioso sobre o nosso caso de aprendizado que deu origem ao modelo, foi há mais de um ano atrás e posso dizer que erramos, apanhamos para resolver, mas deu tudo certo. Todos estão felizes, e acima de tudo, ainda amigos.



crédito foto: Ereine