30/04/2008

O que fazer depois da venda?


Fechando a série do "V.C. é para você?" chegamos à décima e última pergunta que trata do que fazer após a venda do negócio. Vamos lembrar que estamos focando em negócios com aporte de Venture Capital que inevitavelmente venderá a sua participação. No post anterior coloquei os diferentes cenários que podem acontecer no momento da saída do investidor de venture capital.
Aqui vou me focar no cenário em que o empreendedor também acabou vendendo sua participação e felizmente está agora com uma boa poupança. Eu não tenho a menor intenção de dizer o que é certo ou errado para o empreendedor fazer após a venda de seu negócio. Essas opções também importam pouco para o investidor, mas quero provocar o empreendedor para seguir um caminho alternativo que acho muito interessante.
Esse caminho transforma o empreendedor que realizou e viveu a experiência de criar, gerir e vender um negócio em um novo investidor (ou anjo ou de venture capital). Sim, você mesmo um V.C.!
Os fundos de venture capital brasileiros são geridos por grandes profissionais, mas que na sua grande maioria são financistas. Não tem nenhum problema em ser um profissional de finanças, isso é mais do que natural. Mas o que você como empreendedor prefere ter como seu investidor, um ótimo financista ou alguém que já tenha passado por todas as experiências que você está prestes a começar a ter?
Se você, como eu, respondeu "os dois!" então é esse o ponto que quero fazer.
Os ótimos financistas junto com ex-fundadores podem fazer uma enorme diferença para uma empresa que está começando. Só o financista é pouco.
O problema é que não existem muitos ex-fundadores dispostos a se aliar com os fundos de investimento para criar uma nova geração de empresas emergentes aqui no Brasil. Essa é a oportunidade, ou caminho alternativo que eu gostaria de promover.
Assim fica aqui a minha proposta, se você é um empreendedor que acabou de vender seu negócio ou se está prestes a fazê-lo, vire um investidor anjo para começar. Depois, se a sua poupança estiver na casa dos sete digitos, procure uma empresa séria de venture capital (existem várias mas Rio Bravo, CRP e DGF são as que eu recomendo) e se associe a eles para ajudar a próxima geração de empreendedores a prosperar. Se você acreditar que tem o punch para montar seu próprio fundo, procure a Finep, eles estão a procura de bons gestores.

27/04/2008

Criatividade

Empreender e criar são em muitos aspectos sinônimos. A arte de fazer algo real a partir do nada está no coração do empreendedorismo. Nesse vídeo a escritora chinesa Amy Tan descreve o processo criativo sob o seu ponto de vista. A palestra é muito interessante apesar das pitadas de humor sino-americano. Se você não gostar dos primeiros 5 minutos, pode passar direto para o minuto 20 e assista os últimos 2 ou 3 minutos. O final é meio bizarro mas parece que muitos gostam.

A hora da venda.


Na nona pergunta do "V.C. é para você?" chegamos a um ponto crucial, a discussão sobre a venda do negócio.

Crucial porque ela pode ser inevitável no mundo do venture capital. Inevitável por que? Porque os fundos de venture capital tem data marcada para encerrar e devolver os recursos para quem investiu no fundo. Se essa prática é ou não inteligente ou saudável para os negócios eu não abordarei aqui, deixarei para uma reflexão no futuro próximo. Por enquanto vamos lidar com o fato, o investidor precisa "realizar" seu investimento com data marcada.

Vou eliminar também daqui os cenários em que as empresas estejam mal da pernas, ou sem perspectivas porque nesses casos não há tanto conflito entre a vontade do empresário e do investidor, uma venda nessa hora resolve para todo mundo.

Focando nos cenários em que o negócio é bom podemos encontrar situações diferentes quando o prazo para sair do investidor começa a bater na porta.
Se ao se aproximar dessa data de encerramento do fundo o mercado estiver aquecido e líquido e o negócio estiver com boas perpectivas de crescimento, é possível que o investidor possa sair (vender suas ações) vendendo para outro investidor, para os próprios fundadores ou por que não até numa abertura de capital(IPO)?

Nesses cenários a empresa não precisa necessariamente ser vendida, apenas a parte do investidor troca de mãos. Mas se por outro lado nesse momento o mercado estiver em crise, sem liquidez e a empresa, apesar de boa, estiver numa fase de baixo crescimento o investidor pode encontrar dificuldades para vender suas ações.

Nesse cenário de baixa liquidez é muito provável que os fundadores não encontrem formas para financiar a compra das ações do investidor e aí a venda da empresa como um todo pode ser a única saída. É por isso que os investidores colocam a cláusula chamada "Drag Along" nos acordos de acionistas. Para garantir que se o cenário for esse, eles tenham o direito (e os fundadores a obrigação) de vender todas as ações da empresa (possivelmente para uma empresa maior ou multinacional que atue no mesmo mercado, ou até mesmo para um concorrente).

O empreendedor tem que estar preparado para esse cenário, não adianta espernear. Talvez a venda seja saudável para possibilitar uma nova fase de crescimento para aquele negócio que ele criou, a equipe pode ter novas oportunidades de aprendizado e desenvolvimento. O projeto que foi viabilizado com o venture capital tem que agora viabilizar a saída do venture capital. É uma troca importante quase nunca bem compreendida. Por isso é bom planejar, trabalhar com essa possibilidade e discutir com a equipe antes. Não é fácil, mas foi combinado antes.

É por isso que o empreendedor que pretende se associar ao venture capital tem que ter a capacidade de lidar com um cenários desses, tem que conseguir não se apegar a uma criação sua. Se ele e sua equipe, por quaisquer motivos, não estejam conseguindo o máximo de desenvolvimento daquele negócio, o "sistema" se incubirá de fazê-lo. Esse sistema se chama capitalismo.

Feliz então é aquele para quem o prazer está em criar e dar vida aos negócios, se eles tiverem que partir, que seja, ele entende que tudo isso é parte do ciclo do capitalismo. Adaptando a famosa frase de Churchill sobre a democracia poderíamos dizer aqui "O capitalismo é o pior sistema econômico fora todos os outros que já foram tentados".

24/04/2008

Com controle ou sem controle?

Para descrever melhor o tema da pergunta 8 do post "V.C. é para você?" começo por uma generalização que pode ser questionada: Empreendedores tem uma tendência natural a serem maníacos por controle, que o diga o Steve Jobs da Apple, um dos maiores "control freaks" que se têm notícia no mundo dos negócios.
Centralizador, não sabe delegar, tem que aprovar tudo, são alguns dos elogios que são costumeiramente dirigidos aos empreendedores. O pesadelo dos gurus da auto-ajuda empresarial é na verdade um traço de personalidade empreendedora que deve ser entendido melhor. Enquanto que esse drive obstinado é fundamental para tirar um projeto do papel ou para "botar o barco na rua" como dizem meus sócios cariocas, ele pode ser altamente abrasivo na gestão do negócio quando um time está envolvido.
Isso não é necessariamente um problema se o empreendimento está limitado na figura de um único empreendedor, mas se torna um grande problema se a idéia é ganhar escala e construir um negócio de maior porte.

O empreendedor centralizador que gosta de controlar tudo o que acontece e participar de todas as decisões acaba asfixiando a empresa. Ele acaba trabalhando demais e estressa o time todo. É fundamental desenvolver uma relação de confiança com o time de gestores, delegar as responsabilidades e deixar o negócio andar sem depender da sua canetada para tudo.
É por isso que muitos empreendedores que captam recursos com venture capital acabam sendo sacados da posição de principal executivo da empresa. O investidor não promove está troca porque quer levar vantagem ou tomar poder do empreendedor, muitas vezes ele é obrigado a exigir a troca para que a empresa possa crescer.

Vale uma pausa aqui para lembrar que não estou pretendendo dizer como um empreendedor deve ou não deve administrar seu negócio, todos conhecem histórias de grandes empreendedores extremamente controladores que tiveram enorme sucesso. O objetivo aqui é discutir o perfil que combina com o venture capital. Nesse caso a velocidade do crescimento e a capacidade de ganhar escala são o nome do jogo. O perfil demasiado centralizador pode bater de frente com esse objetivo e aí o conflito será inevitável.

Para superar minha própria controle-loucura não foi fácil. O caminho passou por desenvolver uma relação de confiança forte com os sócios, pela criação de indicadores de performance que possam sempre revelar objetivamente como andam as coisas em cada área dos negócios e por uma boa dose de auto-contenção em momentos importantes. Digo que valeu a pena. Faz bem para o estômago e para a cabeça, mas acima de tudo faz bem para o empreendimento.





obs: Para aqueles que receberam um rascunho das primeiras linhas desse post um aviso "não deixe seu laptop aberto durante o jantar se você tem filhos pequenos em casa, eles podem clicar o botão "publish post". Sorry.

20/04/2008

Venture Capital? Não obrigado.

Para quem tem acompanhado os posts sobre Venture Capital e não tem se identificado com o modelo ou com o que é preciso para tê-lo, o video abaixo será um colírio.
Um dos fundadores da 37signals, o David Hansson deu essa palestra ontem no Startup school 2008.
O pessoal da 37signals, e como eles o Joel Spolsky da Fogcreek, tem uma opinião de que o Venture Capital deve ser evitado. Na palestra abaixo o David defende essa visão de uma forma bem humorada e bem convincente, vale a pena assistir. A palestra anterior a dele foi do Greg McAdooum, sócio da Sequoia Capital, talvez o maior e melhor VC americano. O David aproveitou para tirar um bom sarro da palestra do Greg e sua analogia que o empreendedor tem que saber surfar um grande onda.


Watch live video from HackerTV on Justin.tv

19/04/2008

Polêmica. A web 2.0 promove ou destrói a verdade?

O documentário abaixo do holandês IJsbrand van Veelen "The Truth about Wikipedia" é para aqueles que gostam de uma boa polêmica. De um lado o criador da Wikipedia Jimmy Wales e o guru da web e criador do termo web 2.0 Tim O´Reilly e do outro o editor chefe da enciclopédia Britannica e o controverso autor do livro The cult of the Amateur o Andrew Keen.

Os pontos de vista são completamente antagônicos. Um lado acha que a internet, especialmente na sua segunda edição-a web 2.0, democratiza, liberta e promove uma melhor compreensão da verdade, o outro lado acredita que a internet está acabando com a nossa sociedade, ela cultua o egocentrismo, destrói a cultura e erode a verdade.
Ao longo do filme cada lado critica o outro sem dó e tenta mostrar o caráter ilusório da posição do outro lado.

O Andrew Keen tenta fugir do rótulo de reacionário justificando que ele não está ficando na frente do desenvolvimento. Esse "desenvolvimento" foi criado pelos libertarians do silicon valley e portanto não pode ser entendido como o desenvolvimento necessário de todo o mundo. É apenas um desenvolvimento que na visão dele acaba com a cultura e com a sociedade.

Acho que ele seria linchado num evento de blogueiros e santificado no vaticano.

A nova versão do Google Earth

Colocar isso nas mãos (ou na vista) de qualquer um que tenha um micro e uma conexão web é uma conquista mais do que grandiosa. Vejam o alcance e o nível de detalhes que é possível a gente ter de qualquer cidade grande americana (por enquanto). Podem criticar o Google a vontade, com esses resultados e com esses produtos eu continuo admirando e muito.

18/04/2008

O mundo do empreendedor

Na sequência das perguntas do post "V.C. é para você?" chegamos ao tema do mundo em que vive o empreendedor (a pergunta 7).

Quando coloquei uma alternativa para descrever o tipo de mundo em que o empreendedor vive que apontava impostos, funcionários e concorrentes formando uma trilogia do mal foi porque já ouvi muito isso de empreendedores com cabeça de dinossauro.
As três coisas são realmente complicadas e espinhosas, e a forma que o empreendedor escolhe para lidar com elas é determinante para saber se pode cogitar captar investimentos de venture capital ou não.

Vamos por partes, primeiro o mais importante: as pessoas. Se a tua visão for diferente de uma que posiciona as pessoas do time como elemento fundamental para o sucesso do empreendimento, então você já larga com o freio de mão puxado. Não vou nem começar a discussão aqui sobre a importância das pessoas para os negócios na era da informação/colaboração. Se você ainda tem alguma dúvida é melhor parar por aqui mesmo.

E os impostos? Se um absurdo é eufemismo para o tamanho da conta então qual é a saída? Sonegar tudo? Nem pensar. Já se foi a epóca do malandro, mesmo que o congresso ainda venha de tempos em tempos com os Refis da vida. Se você pensa em tocar seu negócio sem pagar impostos então também é melhor esquecer o venture capital. A saída é contar com uma ajuda de uma assessoria tributária para tentar pagar o mínimo possível que te mantenha dentro da formalidade e legalidade. Esqueça os atalhos ou esquemas escusos, eles invariavelemente acabarão num problema ainda maior.


Por último, a famosa concorrência. Sem dúvida qualquer empreendedor gostaria de navegar num oceano azul , mas enquanto ele não cria o seu próprio é preciso lidar com seus concorrentes. Cada vez mais os empreendedores tem percebido que precisam de diferencias claros para que suas empresas possam se destacar no mercado. Se você entende que não adianta ficar simplesmente copiando alguém sendo apenas mais um, ótimo. Tem gente que ainda acredita que deve lutar com unhas e dentes com os concorrentes para brigar pelo melhor preço. Se o teu negócio não é vender alguma commodity então o caminho não é por aí. Crie diferenciais que torne seu negócio único para tentar, como na estratégia do oceano azul, tornar a concorrência irrelevante.

Espero que o seu mundo seja como o meu, cheio de desafios que escondem grandes oportunidades.

15/04/2008

Risco, apoio e reporting

As perguntas 4,5 e 6 do post V.C. é para você? são o tema desse post.
Esses temas são mais suscintos então resolvi agrupá-los.
O primeiro é bem simples, reportar faz parte de qualquer sociedade. Não dá para conviver entre sócios se todos não entenderem que sócio é como chefe, tem o direito de saber o que você está fazendo. O problema surge nos extremos. Se o sujeito só gosta de fazer relatórios para que outros decidam o que fazer com a informação então é melhor rever o conceito de empreendedor. No outro extremo aquele que acha que não deve satisfação para ninguém é melhor procurar uma terapia ou esquecer um empreendimento com sócios.

A questão do risco é bem interessante e aberta a controvérsias. Não é possível eliminar o risco da vida do empreendedor. É bom você gostar muito dele ou aprender a conviver sem sofrimento porque ele será seu parceiro eterno. Isso é bem diferente de sempre arriscar tudo.
Se você costuma se colocar frequentemente em situações que podem tirá-lo do jogo em definitivo então é de se esperar que em algum momento você será "eliminado". São essas situações que devem ser pensadas com mais inteligência. O risco não será nunca eliminado, mas é possível mensurá-lo antes e se preparar para o problema com antecedência. É importante o empreendedor saber exatamente qual é o risco que estará correndo e o que fará se o pior cenário acontecer. Isso reduz muito o stress, gera cumplicidade entre empreendedores e investidores e permite que oportunidades sejam aproveitadas.

Por último, a questão do apoio em casa. Esse assunto é fundamental e muitas vezes não se dá a importância que ele merece. Eu posso testemunhar que o apoio irrestrito é uma imensa contribuição para o sucesso e por outro lado a falta do apoio é uma âncora bem pesada. Não chego ao ponto de dizer que sem a ajuda da mulher/marido, ou dos pais para os mais jovens, é impossível empreender com capital de risco, mas fica bem díficil. Fica difícil porque empreender é complicado e demanda muita energia. No final do dia você precisa de um co-piloto e de um porto seguro para recarregar as baterias. Uma companheira(o) que acredita em você e está disposta a alguns sacrifícios (tempo e dinheiro) é talvez o ativo mais valioso que o empreendedor pode ter. Se você já tem, ótimo, aproveite!

12/04/2008

O tamanho do time

O terceiro ponto do post V.C. é para você? trata do tamanho do time fundador de um novo negócio.
Essa questão já pode ser considerada bem mais controversa e portanto minha intenção não é tentar dizer o que é certo ou o que é errado, vou apenas expor meu ponto de vista respeitando opiniões diferentes.
A primeira alternativa para a pergunta 3 do post original oferecia o vôo solo como opção para o empreendedor. Essa alternativa pode ser válida para empreendimentos onde o profissional liberal exerce sua profissão (dentista, artesão, arquiteto), mas não recomendo de forma alguma para o empreendedor que pretende captar recursos de venture capital. Sozinho é difícil demais e nas horas de baixa você precisa de um sócio para te animar a continuar escalando. Na segunda alternativa eu exagerei um pouco e coloquei que o empreendedor teria uns 10 amigos querendo apostar junto. Fiz isso de propósito para explicar o meu ponto. Então por que 2 ou 3 sócios seria a alternativa ideal?
A resposta começa com o conceito de complementaridade. Não conheço nenhum "super empreendedor", aquele que é bom para entender o mercado, para desenhar produtos, para lidar com clientes, para tocar as finanças e os investidores, para lidar com pessoas e comunicação. Normalmente você desenvolve um talento maior em uma ou no máximo algumas dessas áreas enquanto que sofre nas outras. Se você tem a sorte, como eu, de encontrar outros empreendedores que são talentosos exatamente naquelas áreas que você sofre, a complementaridade é sensacional.
Aqui acho que já aparece o motivo de 10 serem muitos, porque com 10 com certeza haverá sócios com as mesmas habilidades e aí os conflitos serão quase certos.
Com 2 ou 3 é possível cobrir quase todas as principais áreas e o que ficar faltando será pouco, podendo ser complementado com alguém contratado para completar o time.
É comum o empreendedor escolher seus sócios baseado nas suas afinidades e isso geralmente vai acabar formando uma equipe de iguais, isso não é bom. Por mais contra intuitivo que possa parecer, acredito que é melhor se associar à pessoas diferentes, que tenham habilidades distintas, formando assim um time complementar.
Isso não é nada fácil, mas a solução se chama relação de confiança. Isso é a base de toda sociedade e garante que pessoas que pensam de forma diferente possam ter a tranquilidade de saber que todos querem a mesma coisa, independente da forma de pensar. O objetivo é o sucesso do empreendimento.

10/04/2008

Quanto tempo para empreender?


A segunda pergunta do post V.C. é para você? trata do prazo que o empreendedor imagina dispor para empreender.
Essa questão é menos sujeita à subjetividade e é mais fácil de defender a resposta "c" como a mais adequada para quem quer levantar capital com os fundos de venture capital.
As respostas "a" e "b" oferecem prazos que não são compatíveis com o timing necessário para um fundo dessa natureza.
Em menos de 3 anos é praticamente impossível construir um negócio sustentável que tenha valor suficiente para gerar retorno para o investidor. Apenas em raríssimas exceções isso acontece. Não vale a pena nem começar se você imagina que terá que voltar para um emprego antes de 3 anos.
Por outro lado se o teu plano é construir um negócio familiar para seus filhos trabalharem contigo e para depois os seus netos assumirem, então não tente captar recursos de venture capital porque o conflito será praticamente certo quando eles quiserem realizar o investimento.
O prazo de 3 a 10 anos é o prazo ideal porque é o mesmo prazo que o quotista do fundo de venture capital aceitou para receber seu capital de volta com o retorno esperado. Ao final de 10 anos quase todos esses fundos são obrigados a vender seus ativos e devolver o capital investido para seus investidores (e de preferência com um bom retorno, do contrário não investem novamente).
Pode ficar a impressão que o empreendedor precisa de muito tempo para realizar algo que tenha valor para um investidor de venture capital. Se esse foi o caso então ótimo, porque é assim mesmo. Aqueles que acham que empreender com dinheiro de investidores é moleza e ficará rico rápido, pode tirar o cavalinho da chuva. Negócios de valor que geram retorno para fundadores, investidores e principalmente para os clientes demoram para serem construídos. O estouro das bolhas mostra o quanto a "molezinha" pode explodir na cara dos preguiçosos...

08/04/2008

Motivação e o investidor


Essa é a sequência do post "teste", se você ainda não leu o anterior sugiro que leia primero.
A primeira pergunta tratava da questão da motivação do empreendedor, e ficou sugerido ali que a motivação ideal que um investidor de venture capital procura enxergar no empreendedor é a que une uma vontade de mudar o mundo com a ambição de ganhar dinheiro. Por que isso?

Por exclusão. Se o empreendedor não tem a vontade de mudar o mundo de alguma forma, ou ele não pensa grande o suficiente para as pretensões de retorno de um investidor de venture capital, ou ele não terá um diferencial vencedor - já que não quer mudar algo. Sem esses elementos (vontade de mudar, consertar, inovar e diferenciais) o empreendedor dificilmente empolgará o investidor. Mais do mesmo eles recebem todos os dias, não é aí que eles vão investir. Eles querem algo novo, que tenha potencial de grande crescimento. Não perca seu tempo apresentando projetos que não tenham esse caráter, eles não terão chance.
Assim fica explicado (ainda que superficialmente) porque é importante a vontade de mudar.

E o ganhar dinheiro? Por que tem que haver a motivação financeira? Essa resposta é mais simples. Porque o papel do investidor é fazer o dinheiro dos quotistas do fundo crescer. Se a motivação do empreendedor não inclui um vontade de gerar riqueza, não há nenhum problema do ponto de vista do empreendedorismo, mas se a idéia é capitalizar o projeto com recursos de investidores então é importante deixar claro que seu projeto irá engordar a conta bancária deles, além da sua é claro!
Isso é bem diferente daquele empreendedor "oportunista" que quer ganhar dinheiro, esse o investidor saca rápido e não apóia. Já passamos da epóca em que "se dar bem" servia como lema para alguém. Esses projetos geralmente são cheios de falácias porque só visam gerar retorno para o oportunista, isso não se sustenta. Tem que haver inovação, criação, suor, colaboração...

Conclusão: Se você está somente procurando uma foram de ficar rico rápido, você ainda não entendeu a dinâmica das coisas. Se você pretende construir algo igual ao que já existe, boa sorte, tomara que dê certo, mas não procure investidores de venture capital. Agora se você tem a pretensão de mudar o mundo e quer fazer isso gerando resultado, riqueza, então você é um bom candidato a receber investimento desse tipo de investidor.

Que fique claro aqui que não estou querendo dizer que quem tem perfil para trabalhar com venture capital é melhor ou pior do que quem não tem. Essa não é a questão. Estou apenas procurando esclarecer melhor quem deve procurá-los e quem deve tentar por outros caminhos.

No próximo post sigo a sequência do post inicial escrevendo sobre a questão do controle.

04/04/2008

V.C. é para você?

No último post o assunto foi o investidor anjo. Antes de descrever como atuam os investidores de Venture Capital, que seriam os próximos a descrever, eu preparei esse pequeno "teste" para preparar o terreno. As perguntas foram baseadas nas minhas percepções sobre os principais desencontros que acontecem nos casos em que o empreendedor se deu mal de uma forma ou de outra com o venture capital. Seja porque não conseguiu captar recursos, seja porque depois da captação o relacionamento com o investidor desandou. Após responder e refletir sobre as perguntas reconhecendo quais seriam as suas escolhas, continue a leitura nos próximos posts onde poderemos discutir cada uma delas.

1. Qual é a sua motivação?
a) Ganhar dinheiro.
b) Mudar o mundo.
c) Mudar o mundo e ganhar dinheiro.

2. Qual é o seu prazo para empreender?
a) tenho a vida inteira e talvez a dos meus filhos e netos.
b) tenho de 2 a 3 anos no máximo enquanto posso arriscar ficar entre empregos.
c) tenho gás para insistir entre 3 e 10 anos.

3. Qual o tamanho do seu time?
a) estou tentando um vôo solo.
b) tenho uns 10 amigos que querem apostar juntos comigo.
c) tenho 2 ou 3 sócios que me complementam.

4. O quanto você se dispõe a reportar suas ações?
a) o meu grande prazer é fazer relatórios.
b) se escolhi ser empreendedor é porque não quero ninguém me enchendo o saco.
c) para conviver em sociedade entendo que os sócios precisam saber de tudo o que acontece de relevante com o negócio.

5. Qual o seu apetite para o risco?
a) risco existe para ser evitado.
b) comigo é “All-in”.
c) gosto de correr riscos mensurados.

6. Qual o tipo de apoio que você tem?
a) meus familiares ainda não podem ficar sabendo dos meus planos.
b) me botaram para fora de casa.
c) minha família acredita em mim e está disposta a encarar alguns sacrifícios.

7. Qual o tipo de mundo em que você vive?
a) impostos, funcionários e concorrentes formam a trilogia do mal.
b) meu sonho era ser enfermeiro da cruz vermelha.
c) acredito no potencial das pessoas e na cooperação para construir negócios.

8. Como você lida com o controle?
a) muito bem, desde que seja meu.
b) prefiro que controlem por mim.
c) em alguns momentos é melhor abrir mão.

9. Qual o melhor negócio para vender?
a) o dos outros porque no meu ninguém tasca.
b) esse que estou tentando me livrar.
c) aquele que pode continuar crescendo sob o comando de outros.

10.Se eu vendesse meu negócio hoje o que faria com o capital?
a) me aposentava, chega.
b) contratava um advogado para processar o investidor que me forçou a vender.
c) montava um fundo com meus sócios para investir em novos negócios.

Veja qual foi a maioria das suas respostas. Se não foi "c" recomendo uma boa reflexão sobre cada ponto que você escolheria a resposta "a" ou "b" antes de pensar em tentar captar recursos com investidores. Isso não significa que você não tenha perfil empreendedor de forma alguma, apenas que talvez seu perfil não seja o ideal para empreender com o capital de investidores de venture capital. Se você respondeu tudo "c", teu perfil se encaixa muito bem. Talvez só falte tentar. Nos próximos posts vou procurar enriquecer cada um dos 10 pontos.