27/05/2010

O gordo e o magro no mundo das startups

Esse debate entre o Fred Wilson e o Ben Horowitz vale a pena assisitir. Lá fora eles tem usado os termos "Lean Startup x Fat Startup" (magra x gorda na tradução literal, enxuta x cheia de grana na tradução adaptada).

Watch live streaming video from disrupt at livestream.com


Os dois são investidores de extremo sucesso e defendem suas teses com bons argumentos baseados em experiências vividas. É engraçado notar que apesar do Ben ser o empreendedor que virou investidor e o Fred ser o investidor tradicional, é a tese do Fred que encanta os empreendedores.

O Fred foi bem frio e racional usando números, enquanto que o Ben, meio confuso, não conseguiu defender muito bem seus pontos. A riqueza do debate está em como fica evidente a força do modelo "Lean Startup" ao mesmo tempo que as provocações do Ben sobre o tamanho dos problemas que estamos buscando resolver é importante. Os contrapontos são sempre muito bons para fortalecer nosso entendimento sobre um assunto.

Cada um deles já escreveu um post defendendo a sua tese. O Fred aqui e o Ben aqui.

É bom lembrar que para nós, empreendedores no Brasil, a discussão não faz muita diferença já que não existe casos e nem possibilidade de termos "Fat Startups" por aqui. Fomos praticamente obrigados a dominar a prática da Lean Startup por simples falta de opção.

A tendência das "Lean Startups" favorece muito o empreendedor brasileiro. Se formos capazes de sustentar a provocação do Ben (sobre quais problemas estamos buscando resolver) junto com nossa capacidade de nos virarmos com poucos recursos e muita criatividade, temos uma enorme chance de despontarmos mais no cenário global.

26/04/2010

Empreendedores, Investidores e Educadores

Why Accountants Don't Run Startups
View more presentations from steve blank.

O conteúdo da palestra acima é "priceless" para qualquer um que seja um dos descritos no título desse post. O link para ouvir o Steve Blank está aqui.
O sucesso para os empreendedores, o retorno para os investidores e o resultado para os educadores passam pelo correto entendimento desse conteúdo.
Muitos erros são cometidos por falta desse entendimento, eu certamente cometi vários mais de uma vez. Gostaria muito de ter tido uma aula dessas 10 anos atrás.
Assista e confira.
Infelizmente eu continuo muito ocupado na fase de transição do Grupo Direct e não consigo achar tempo para escrever mais aqui, mas essa não dava para deixar passar.


07/08/2009

Idéias, dinheiro e paixão

O Guy Kawasaki organizou e comandou, em 10 de julho último, um evento de um dia chamado Revenue Bootcamp.


A idéia principal do evento era discutir as formas de gerar receita para uma startup. Afinal, num ambiente em que o "Free" predomina cada vez mais e os investidores estão mais retraídos, gerar receitas com clientes é a melhor forma de conseguir viabilizar um novo negócio.

Os vídeos das palestras e debates podem ser vistos no site building43.com.

Um vídeo imperdível é esse abaixo, onde o Guy conversa com Mike Moritz, principal sócio da Sequoia Capital e Paul Graham da Y-Combinator.

Logo no começo o Moritz já derruba um dos mitos que os empreendedores sempre escutam: "que o investidor só quer investir em times já provados, com produtos já provados e modelos de negócios já provados". Vejam o que ele diz sobre isso no quinto minuto do vídeo.

Outro ponto discutido, no nono minuto, é sobre as projeções financeiras. Enquanto Graham sequer pede projeções, Moritz afirma que sua preocupação é garantir que a startup consiga sobreviver ao primeiro ano de vida mesmo se as projeções não acontecerem.

A questão da paixão dos empreendedores está permeando quase toda a conversa, mas lá pelo décimo terceiro minuto, quando Guy pergunta a eles o que dispara o alarme de "bull-shit" quando empreendedores estão apresentando algum projeto, Graham vem com a resposta mais interessante. Ele diz que o pior é quando o empreendedor efetivamente usa a palavra paixão, "você nunca deveria falar que tem paixão pelo projeto, você tem que mostrar estar totalmente apaixonado sem nunca dizê-lo."

Daí em diante tem mais uma série de discussões valiosas para empreendedores e investidores, veja por conta própria, e não deixe de ver, lá pelo minuto 45, a conta simples que o Guy explica de como calcular o valuation de sua startup: "Some 500mil para cada engenheiro full-time no time e subtraia 250mil para cada MBA".


23/07/2009

Financiando seu projeto

Li recentemente um post do investidor de Venture Capital Mark Peter Davis e achei que merecia uma versão adaptada para nossa realidade brasileira, então aí vai:


Quando o empreendedor planeja o financiamento de seu projeto, inevitavelmente esbarra na dúvida sobre investidores. Captar, ou se virar com os próprios recursos (bootstrap)? Cada projeto tem suas peculiaridades e não existe uma regra universal, mas podemos resumir bem as possibilidades respondendo duas perguntas básicas:

- Qual o tamanho da oportunidade de negócios? (escala)
- Qual a necessidade de capital até atingir o equilíbrio de fluxo de caixa?

O diagrama abaixo simplifica as respostas.




Se o projeto não apresenta uma possibilidade de crescer as receitas para algo acima de R$30,0 milhões anuais num espaço de tempo menor do que uns 8 anos, o investidor de venture capital não é o melhor caminho, mas se o projeto tem essa possibilidade e precisa de muito capital (>R$3,0 milhões) para botar o negócio de pé e atingir o equilíbrio, as primeiras condições estão alinhadas e você deve mesmo considerar uma captação com venture capital.

No diagrama acima, o quadrante vermelho dispensa maiores explicações. Se teu projeto não prevê um porte significativo e demanda muito capital, ele é inviável. Ao invés de perder seu tempo tentando capitalizá-lo, parta para outro.

A alternativa de auto-financiamento ("bootstrap" no jargão empreendedor) é melhor para projetos que demandam pouco capital inicial e que não ambicionam um porte maior do que alguns poucos milhões de reais de faturamento.

Nesses casos, um investidor de venture capital ficaria muito grande dentro da estrutura acionária e as exigências de preferências de liquidez (para vender sua parte primeiro) deixariam os empreendedores numa situação indesejável. Planeje para crescer organicamente com as receitas geradas com os primeiros clientes.

Aqui vale uma ressalva: fazer o "bootstrapping" nos EUA é muito mais fácil do que aqui no Brasil. Lá o empreendedor consegue crédito com maior facilidade e a taxas muito mais baixas. Dá para se virar com as contas do primeiro mês se ainda não tiver receita. Aqui o bicho pega. Se usar o limite do cartão e não pagar a fatura em dia, o juro come o aluguel. Se você contrata alguém nos EUA não paga os encargos que por aqui bancam os atos secretos do Sarney. Sem falar na famigerada burrocracia.

O importante é que não adianta ficarmos choramingando, tem que botar essas imbecilidades brasucas na conta e seguir tentando.

A coisa é um pouco mais complicada no quadrante verde, quando o projeto pode ficar grande, mas não precisa de muito capital para começar e atingir o equilíbrio. Nesses casos a decisão fica em função de uma análise sobre as barreiras de entrada que o projeto apresenta.

Se existem barreiras fortes que impedem outros de rapidamente copiar tua idéia e te tomar o mercado, então é melhor seguir sem a diluição do venture capital e suas exigências.

O caminho é outro se não existem barreiras significativas e o primeiro que lançar forte e conquistar o mercado leva grande vantagem. O capital do investidor faz uma enorme diferença competitiva. Vale a pena captar e avançar com rapidez. Ficar sentado encima de todas as ações ou quotas do projeto e ver outro concorrente melhor capitalizado tomar todo o seu mercado não é um prognóstico muito desejável.

Os erros e acertos no financiamento de uma startup são muito relevantes para todo o futuro do projeto. Adequar a melhor estrutura de capital é tão importante quanto à estratégia do negócio.





24/06/2009

Carlos Nepomuceno - O Brasil precisa de um partido 2.0

Ontem foi a voz indignada do Clemente Nóbrega, hoje coloco aqui a visão propositiva do Carlos Nepomuceno.


O Brasil já tem uma população bastante criativa. Basta ao governo deixar os brasilieiros serem quem eles são – Bruce Mau - da minha coleção de frases.

Já fui PT.

Quase da primeira leva.

Hoje, acredito que o fundamental é continuar com a idéia lançada na década de 80, que foi esquecida pelo Partido dos Trabalhadores: fortalecer o poder local, conscientizando as pessoas para exercer plenamente a sua cidadania.

Concordo que:

Todo poder corrompe e o poder absoluto corrompe totalmenteLorde Acton, da minha coleção.

Se é essa regra do jogo, e é fato, é preciso criar mecanismos, através do acompanhamento de quem chega lá, para que, através desse controle, tenham menos espaço para sair do trilho.

Um pouco, usando conceitos de Hans Kelsen, ao apontar a diferença entre a democracia representativa para a democracia participativa.

Aqui, estamos 99% por cento na primeira e 1% na segunda.

O importante agora é começar a crescer a participação cidadã, através da possibilidade que a rede nos traz, na qual esse partido ou movimento deveria apostar.

Cada candidato eleito desse movimento/partido deveria abraçar a idéia de fortalecer e estimular os movimentos cidadãos: orçamento participativo, reunião nos bairros, fiscalização das ações dos governos (como aparece aqui e ali em várias cidades), integrando tudo isso, via Redes Sociais.

O Brasil, como outros países do Terceiro Mundo, vive a fantasia do prazer ilimitado.

E está na hora de introduzir quebras nessa neurose, através da saída da democracia do voto, mas esqueço, do voto e participo.

Ou seja, como aqui é muito difícil aqui alguém conseguir aliar prazer com o seu trabalho.

Trabalhamos sem prazer e procuramos na fantasia social nos preenchermos enquanto pessoas.

O trabalho é alienante.

Em um ciclo viciado para conseguir sobreviver nessa neurose das poucas oportunidades brasileira, reclamamos das coisas burocraticamente entre os anúncios da novela, do futebol e do BBB, mas nunca conseguirmos sair da passividade para a ação, com raras exceções.

Fica uma frase do escultor ecológico Frans Krajcberg que vi num curta no Cinema Estação, ao falar sobre a destruição da Amazônia, ele diz:

A passividade do brasileiro é chocante!

Ou seja, entendemos mais da fantasia, do mundo paralelo dos “famosos”. que ocupa um espaço subjetivo enorme, do que de como funciona todas as objetivas e subjetivas que batem na nossa casa, no prédio, no bairro, na cidade, no estado e no país, a verdadeira realidade.

Estamos no mais fundo poço do Matrix, mas não nos damos conta.

Acredito que há a latência por um novo partido/movimento, que ao mesmo tempo que tenta mudar o país, leva as pessoas juntas nesse processo.

E não: deixa que eu mudo, fica só aí me apoiando de longe, uma atitude conservadora.

O mundo hoje, com seu volume de demandas e diversidade social, pede a colaboração e não um “pai do povo”.

Um idéia de mobilização e ação que não está hoje no horizonte, nem do PT e nem do PSDB, muito menos dos outros.

Uma sigla que aposte na organização social, na cidadania, como elemento base de sua constituição e não como um discurso vazio populista para acumular votos para mais alguns anos no poder, que se viu tanto no atual governo como nos anteriores.

E mais ainda.

Que, além do esforço cidadão, acredite na descentralização do poder econômico do estado provedor para o estado articulador.

Que aposte no empreendedorismo como a grande saída para os jovens.

Saiu no Globo, 20/06/09:

Censo mostra que informalidade reina na favela. No Complexo do Alemão 92,3% dos empreendedores não têm negócios legalizados; em Manguinhos, são 93,5%.

Me alinho com o que disse Edna dos Santos-Duisenberg, no Valor, em 18/06/09:

O Brasil tem uma população extremamente jovem, que esbanja talento criativo e sempre está inventando. Isso precisa ser estimulado pelo governo, que deveria encarar o tema como uma estratégia.

Hoje, um brasileiro sonha muito mais em um emprego público, geralmente para chegar lá e fazer o que ele quer fazer, por fora, não como uma carreira, do que jovens querendo se expandir enquanto pessoas, através de projetos de micro e pequenas empresas, sem falar em cooperativas.

Talvez a idéia até de partido não caiba mesmo, que é algo que divide e doutrina, mas de um movimento amplo de cidadania participativa que nas eleições escolha entre as opções que apostem nessa visão de país.

Mudar com todos.

E não mudar, para melhor, a vida do político, de sua família e amigos.

De qualquer forma, um conjunto de pessoas humanistas que imaginem a grande possibilidade da rede não para transformá-la em mais um canal de alienação, mas que possa aproximar as pessoas em cada rua, conectando estas ao bairro, à cidade, ao estado, ao país e ao planeta.

Utopia?

Que bom, precisamos disso nesse mar de pragmatismos!

Concordas?


23/06/2009

Clemente Nóbrega - O Senado Federal, a falta de higiene, e a grande inovação brasileira.

O Camilo Telles teve a idéia e eu gostei, faço o mesmo aqui. Quaisquer idéias sobre o que mais fazer para que essa palhaçada não continue serão bem vindas.

'Nunca (que eu me lembre) costumo copiar integralmente posts ou textos de outros sites, mas neste caso estou fazendo uma exceção, pois gostaria que este texto tivesse a maior divulgação possível. O original está no site do Clemente Nóbrega aqui:' C.T.

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O Senado Federal, a falta de higiene, e a grande inovação brasileira

Li que o Senado Federal tem 10 mil funcionários para 81 senadores (será que li direito,gente?).
Soube também que contrataram a FGV para fazer propostas para a reorganização “da casa”. Hmmmm, estou sentindo aquele cheiro no ar de novo…..
Há situações em gestão (como na vida) em que não é preciso técnica nem conhecimento, basta água e sabão. Se você não toma banho, não corta as unhas, não usa desodorante, não admira que as pessoas fujam de você. É falta de higiene,cara!
Este blog tem opinião.
Dez mil funcionários para 81 senadores? O problema do Senado da República é falta de higiene. Água e sabão. Chega de análises! Não precisa consultoria! Vão tomar banho!
Ainda no espírito dos dois últimos posts: a grande inovação brasileira , para mim, seria o desmantelamento da mentalidade soma zero que impera no “tecido” do país. Lembrem-se, há contextos em que não se consegue não ser corrupto, mesmo que não se queira ser corrupto. NÃO DEPENDE SÓ DE SUA OPÇÃO COMO INDIVÍDUO, DEPENDE DO CONTEXTO EM QUE VOCÊ ESTÁ TAMBÉM
Esta, para mim, é a tragédia brasileira.
Mudar essa mentalidade (que gente culta chama de “patrimonialista”, mas que eu, ignorante das sutilezas sociológicas, chamo de “vagabunda” mesmo) exige um tipo de líder que não existe no Brasil. E não existe porque quem “chega lá” politicamente, tem que se comprometer com o “mau cheiro” se não , não fica lá.
Ser popular não tem nada a ver com ser líder.
O tipo de liderança de que precisamos não será popular. Só pode ser exercida por uma geração de líderes que não tenha como prioridade a permanência no poder a qualquer custo. A proposta delas teria de ser o equivalente brasileiro ao “sangue, suor e lágrimas” de Winston Churchill.
Reformar os sistemas jurídico e político do Brasil é mais importante para a inovação brasileira do que políticas de “investimentos em inovação”. Essas “coisinhas” produziriam mais efeito do que todo o pré sal, do que todos os investimentos em “tecnologia” que possamos fazer, porque atuariam diretamente no coração do problema: nosso enorme deficit da noção de confiança, o que se reflete na ausência de um destino compartilhado, o que leva tanto as elites como as massas a serem soma zero.
A relação de causa e efeito entre confiança e riqueza não é perfeita (pois confiança não é o único fator que determina os níveis de cooperação de um país) mas, cá pra nós, você não acha que já temos pistas suficientes para explicar nossa incompetência em inovar, não?

06/06/2009

Empreendendo na Faculdade

Ontem estive na feira de empreendedorismo dos alunos da FGV em SP. O convite dos professores Homero Psillakis e Gilberto Sarfati foi para ajudar a avaliar os projetos em termos de inovação, viabilidade e apresentação.


Dentre os 20 estandes montados pelos grupos de alunos, alguns se destacavam com apresentações muito bem feitas (melhor do que de muito marmanjo que se diz empreendedor por aí).

Foi interessante ver a extensão das idéias que são desenvolvidas num projeto como esse. A maioria, por ser um faculdade de negócios, acaba sendo de tentativas de mexer com o modelo de negócios, a distribuição, conceitos e marcas. Poucos projetos são baseados em inovação tecnológica.

O que mais chama a atenção é o entusiasmo de alguns falando de como será o seu novo negócio. Muitos grupos pareciam que realmente pretendiam levar o projeto para a rua, e não só cumprir uma exigência acadêmica. A viabilidade do negócio tinha sido bem pensada e muitos alí tem mesmo condição de fazer aquilo acontecer.

Hoje já é justo dizer que a faculdade esta formando gente com capacidade para empreender e não mais para tirar xerox em escritórios de multinacionais avessas a risco. Esses alunos já percebem que podem escolher seu próprio caminho profissional e podem criar muito mais valor do que aprendendo regras de etiqueta corporativa (bem questionáveis diga-se de passagem).

Ainda acho que o maior ganho virá quando uma faculdade como a FGV fizer um projeto desse em conjunto com uma faculdade de engenharia. Se juntar as competências de negócios desses alunos de administração com as competências técnicas do pessoal de engenharia, o resultado pode ser muito positivo e um nível ainda maior de inovação ser alcançado.

De qualquer forma fica aqui o meu parabéns e boa sorte para todos os novos empreendedores que estão enxergando uma nova possibilidade profissional e também um parabéns e agradecimento para os professores que estão guiando esses alunos.




01/05/2009

Os fracassos estão ficando superavaliados?


Os fracassos de um empreendedor (negócios que não deram certo) já foram vistos como sinal da sua incapacidade de ter sucesso. O 'fracassado' tinha que vencer um enorme preconceito para que pudessem apostar na sua capacidade novamente.


Esse preconceito ainda existe, mas já está dividindo o espaço com a noção de que o fracasso também é bom. Fracassar uma vez pode ser um valioso aprendizado para o empreendedor.
Saber o que causou o fracasso, aprender com esses erros é realmente muito válido.

Nos Estados Unidos muitos investidores gostam de conhecer o currículo de erros do empreendedor, tanto quanto os seus acertos. Muitos acreditam que o cara que errou bastante está mais preparado para enfrentar novamente os desafios de transformar uma idéia numa empresa de sucesso.

Concordo com tudo isso, mas acho que tem que se ter um cuidado para não começarem a achar que aquele que acabou de errar mais uma vez é o mais novo candidato a ter uma nova chance e finalmente criar um grande negócio. Se todo mundo começa a achar que qualquer fracasso é bom, então quando a coisa começa a ficar ruim ele desiste logo e pensa 'tudo bem, isso será bom para o meu currículo'.

Se o sujeito tem um bom currículo de erros, mas também já mostrou que é capaz de transformar uma idéia em negócio de sucesso, tudo bem, ele já caminhou pelas duas avenidas (sucesso e fracasso). Mas e aquele que só errou? Diriam os mais empolgados "dessa vez vai!"
Só que não acho que seja bem assim...

Aquele que só errou ainda não conhece o caminho que leva uma startup ao sucesso. Quantos erros são necessários para garantir que a próxima tentativa dará certo? Não é possível saber! E se forem mais de 100? Ter errado muito não é nenhuma garantia de sucesso na próxima. Não adianta nada ficar acumulando um monte de cagadas sem acertar também.

A idéia aqui não é desanimar ninguém que já tenha errado bastante e ainda sonha em transformar suas idéias em negócios de sucesso, mas reforçar a tese que para conseguir levantar um negócio é preciso muita transpiração, foco e competência. As tentativas baseadas em achismos e procura por atalhos continuarão fracassando muito rápido.

Se alguém estiver tentando te convencer a embarcar numa nova jornada com a justificativa que ele já errou tanto que agora ele só pode acertar, pode cair fora, é roubada.





22/03/2009

Epicentro


Uma atividade prazerosa do fim de semana é assistir os videos do TED e ser chacoalhado por idéias que podem mudar como enxergamos os negócios e a vida. Nesse final de semana não assisti nada do TED e resolvi assistir online as palestras do 'TED Brasileiro', o Epicentro.

Aqui vai minha impressão sobre as palestras dessa primeira edição:

Acho que o uso da comédia para passar uma mensagem num evento desses é aceitável desde que seja em dose homeopática e natural. O Luciano Pires exagera. A palestra dele tinha uma mensagem muito interessante que ficou escondida debaixo das gracinhas metidas a besta para mostrar que ele é cômico. Qual era o objetivo? Transmitir uma mensagem interessante ou provar que o palestrante é inteligente e engraçado? Menos ego de consultor seria bom.

Palestra de consultor eu raramente gosto. A do consultor de marketing jurídico foi lamentável para um evento como esse, estava no lugar errado.

Gostei das palestras que expunham pontos controversos, essas sim fazem pensar. Podem estar equivocadas, não precisamos concordar com as idéias, mas cumprem um papel bem mais útil. Geram questionamentos, dúvidas, inquietação. Gabriel Peixoto, Miguel Cavalcanti e Vicente Lassandro fizeram isso. O Vicente exagerou nas barbaridades de sua visão míope dos problemas, mas tudo bem, foi interessante e válido mesmo assim.

A Claudia Riecken contou histórias muito interessantes, mas não cumpriu a promessa de fazer uma palestra objetiva em 18 minutos, se alongou por 28.

Palestra de patrocinador/produtor também deveria ficar de fora. Deixem quem tem idéias novas e diferentes falar. A palestra do fundador da IT Mídia foi dessas. Ele certamente tem uma história muito respeitável e admirável, mas a proposta vendida não era essa.

O Pedro Mello abordou um aspecto interessante (mais espiritual), mas falhou feio por não ter preparado sua palestra de acordo com o combinado. Excedeu em muito o tempo e sequer concluiu seu exercício numerológico. Fail.

Eric Acher e Mandic são profissionais muito inteligentes, não tenho nada contra as suas idéias, mas voltemos a lembrar que o propósito vendido não era de mostrar palestrantes inteligentes e sim idéias novas em 18 minutos. Achei que estavam fora do contexto em quase 30 minutos cada.

A palestra do "Político 2.0" foi até interessante porque mostra um trabalho que está sendo feito diferente do que vemos por aí nas terras que sofrem de uma metástase chamada PMDB. O problema foi que não veio nenhuma idéia nova. Quem ainda não sabia que políticos minimamente decentes trabalham com dados da população?

O Fábio Seixas e o Marco Gomes são empreendedores com grande potencial, além de pessoas muito queridas por toda a comunidade web, mas assim como eu, ainda não são "TED material".

Não deu tempo de assistir as palestras do Rawlinson e do Alexandre Oliva, talvez se todos tivessem respeitado o tempo proposto daria, então não comentarei sobre essas.

Muito mais do que o conteúdo das palestras, a organização do evento foi alvo da maior cobertura dos twitteiros e blogueiros. Falaram e escreveram muito sobre as falhas de organização. Falhas lamentáveis, algumas imperdoáveis (overbooking de mais de 1000%), mas que só acontecem com quem tenta fazer.

Admiro o Ricardo Jordão pela coragem e pela energia que ele demonstra para fazer acontecer, tiro o chapéu nesse ponto, ele é um "man in the arena" (veja texto ao lado no blog) mas acho que a crítica construtiva só pode ajudar o projeto dele.

Para que o Epicentro 2 seja melhor eu acredito que o Jordão deveria investir em equipe. Ele claramente precisa de ajuda na curadoria das palestras, e de uma boa ajuda na parte técnica. Do jeito que está, não vai pra frente. Dúvido que ele discorde disso, mas não conversei com ele para ouví-lo. Os palestrantes dessa edição já tiveram a coragem de dar a cara para bater e serem os primeiros, agora poderiam constituir uma banca para escolher os próximos.

Espero que a nova edição em outubro seja uma evolução dessa. Torço para que seja, porque pode ser uma boa fonte de inspiração para muitos empreendedores.

20/02/2009

O que está acontecendo?

O Clay Shirky é, sem dúvida, um dos pensadores da web que melhor compreendem as mudanças que estão acontecendo.



Nessa entrevista ele fala sobre quatro temas muito interessantes e importantes. O primeiro é a capacidade de grupos se formarem e de realizarem tarefas que antes da web não seriam possíveis. O custo de organização de grupos caiu drasticamente. O exemplo que ele cita é o do site Stimulus Watch, criado para ficar de olho nos gastos com o plano de estímulo econômico do Obama.

O segundo tema é sobre o emprego, e as oportunidades de trabalho que morrem versus as novas que são criadas. Nada mais relevante nesse momento.

O terceiro tema é a transformação inevitável que caminha a cada dia sobre toda a indústria da comunicação. Os modelos de negócio serão transformados mesmo que os atores atuais continuem tentando preservar os modelos de jornalismo e publicidade já esgotados.
A chave para o sucesso nesse processo de mudança sendo a capacidade de experimentar o novo com baixo custo.

Por último ele fala um pouco mais sobre o tema da palestra que fez na Web 2.0 Expo em NY e que já destaquei aqui antes. As oportunidades que a necessidade de novos filtros na web geram são enormes para os empreendedores de tecnologia.
A entrevista dura 18 minutos e vale cada segundo.