Aqui, estamos 99% por cento na primeira e 1% na segunda.
O importante agora é começar a crescer a participação cidadã, através da possibilidade que a rede nos traz, na qual esse partido ou movimento deveria apostar.
Cada candidato eleito desse movimento/partido deveria abraçar a idéia de fortalecer e estimular os movimentos cidadãos: orçamento participativo, reunião nos bairros, fiscalização das ações dos governos (como aparece aqui e ali em várias cidades), integrando tudo isso, via Redes Sociais.
O Brasil, como outros países do Terceiro Mundo, vive a fantasia do prazer ilimitado.
E está na hora de introduzir quebras nessa neurose, através da saída da democracia do voto, mas esqueço, do voto e participo.
Ou seja, como aqui é muito difícil aqui alguém conseguir aliar prazer com o seu trabalho.
Trabalhamos sem prazer e procuramos na fantasia social nos preenchermos enquanto pessoas.
O trabalho é alienante.
Em um ciclo viciado para conseguir sobreviver nessa neurose das poucas oportunidades brasileira, reclamamos das coisas burocraticamente entre os anúncios da novela, do futebol e do BBB, mas nunca conseguirmos sair da passividade para a ação, com raras exceções.
Fica uma frase do escultor ecológico Frans Krajcberg que vi num curta no Cinema Estação, ao falar sobre a destruição da Amazônia, ele diz:
A passividade do brasileiro é chocante!
Ou seja, entendemos mais da fantasia, do mundo paralelo dos “famosos”. que ocupa um espaço subjetivo enorme, do que de como funciona todas as objetivas e subjetivas que batem na nossa casa, no prédio, no bairro, na cidade, no estado e no país, a verdadeira realidade.
Estamos no mais fundo poço do Matrix, mas não nos damos conta.
Acredito que há a latência por um novo partido/movimento, que ao mesmo tempo que tenta mudar o país, leva as pessoas juntas nesse processo.
E não: deixa que eu mudo, fica só aí me apoiando de longe, uma atitude conservadora.
O mundo hoje, com seu volume de demandas e diversidade social, pede a colaboração e não um “pai do povo”.
Um idéia de mobilização e ação que não está hoje no horizonte, nem do PT e nem do PSDB, muito menos dos outros.
Uma sigla que aposte na organização social, na cidadania, como elemento base de sua constituição e não como um discurso vazio populista para acumular votos para mais alguns anos no poder, que se viu tanto no atual governo como nos anteriores.
E mais ainda.
Que, além do esforço cidadão, acredite na descentralização do poder econômico do estado provedor para o estado articulador.
Que aposte no empreendedorismo como a grande saída para os jovens.
Saiu no Globo, 20/06/09:
Censo mostra que informalidade reina na favela. No Complexo do Alemão 92,3% dos empreendedores não têm negócios legalizados; em Manguinhos, são 93,5%.
Me alinho com o que disse Edna dos Santos-Duisenberg, no Valor, em 18/06/09:
O Brasil tem uma população extremamente jovem, que esbanja talento criativo e sempre está inventando. Isso precisa ser estimulado pelo governo, que deveria encarar o tema como uma estratégia.
Hoje, um brasileiro sonha muito mais em um emprego público, geralmente para chegar lá e fazer o que ele quer fazer, por fora, não como uma carreira, do que jovens querendo se expandir enquanto pessoas, através de projetos de micro e pequenas empresas, sem falar em cooperativas.
Talvez a idéia até de partido não caiba mesmo, que é algo que divide e doutrina, mas de um movimento amplo de cidadania participativa que nas eleições escolha entre as opções que apostem nessa visão de país.
Mudar com todos.
E não mudar, para melhor, a vida do político, de sua família e amigos.
De qualquer forma, um conjunto de pessoas humanistas que imaginem a grande possibilidade da rede não para transformá-la em mais um canal de alienação, mas que possa aproximar as pessoas em cada rua, conectando estas ao bairro, à cidade, ao estado, ao país e ao planeta.
Utopia?
Que bom, precisamos disso nesse mar de pragmatismos!
Concordas?